03/11/2010 – 14:11
Foto: Rachid Waqued
André e sua fada, agora muito mais madrinha, Dilma Rousseff.
Primeiro foi a história da fada madrinha, quando começaram a jorrar os recursos do PAC. Depois, ante a birra de titio Zeca insistindo sair candidato a governador só porque alguém espalhou que se venderia e inviabilizando no Mato Grosso do Sul a aliança nacional entre PT e PMDB, a do noivo no altar à espera de sua amada com uma flor na lapela. Entre as duas situações, claro que André Puccinelli deve estar rezando para que Dilma Rousseff se lembre dele não como o noivo abandonado, mas como o pretendente com olhos de lince que via nela os poderes sobrenaturais que nem mesmo a companheira petista admitia, tirante Lula, evidentemente.
Reeleito governador, mesmo tendo que carregar o pesado fardo de José Serra, Puccineli já avisou que não vai à posse de Dilma na Presidência, para não parecer puxa-saco. Pois deveria ir, pelo menos, em consideração a Michel Temer, seu amigo e companheiro de PMDB, coincidentemente, vice-presidente da República da mesma Dilma, a ser empossado no mesmo dia.
A menos que, ressentido com as bravatas de Lula no palanque de Zeca, André deixe a poeira se assentar, na certeza do reencontro lá na frente, se não entre o ex-noivo e a eterna fada, mas entre o governador e a presidente. Afinal, o Brasil é uma República Federativa e o Mato Grosso do Sul um dos estados que a compõe e como tal merece ser respeitado.
Assim o fazendo, para ficarmos na linguagem do próprio, André Puccinelli mira no pragmatismo de seu ex-colega governador e agora senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves, que mandou às favas o partidarismo, preferindo cuidar da própria vida (e dos interesses de seu Estado) ao recusar, peremptoriamente, a condição de companheiro de chapa de Serra, elegendo-se Senador e, assim, colocando-se como a bola da vez, a grande estrela entre os oposicionistas. E com mandato! Até porque, quem tem que correr atrás do prejuízo é ele, André, não Zeca do PT, o responsável pelo noivado desfeito, e cujo castigo veio das urnas, muito menos Marisa Serrano e seus tucaninhos, que ameaçaram bater asas, também, quando da tentativa de se reatar o namoro com os petistas num momento em que o tucano maior embicava irreversivelmente para se espatifar em solo nordestino.
André não precisa provar a mais ninguém o quanto é partidário, companheiro e, acima de tudo, competente politicamente, depois da grande vitória que deu a Serra no Mato Grosso do Sul. Mas precisa continuar fazendo a lição de casa por mais quatro anos. E para fazê-la bem feito, só com pragmatismo, como o de Aécio, e não com o partidarismo que até aqui quase põe tudo a perder.
