04/11/2010 – 08:11
Foto: Anita Tetslaff
Não. Não pode ser. Seria este o motivo do “chega pra lá” em Delcídio?
O historiador Ronaldo Costa Couto atribui o acontecido a Tancredo Neves, diante da insistência de um deputado que se autocandidatou a secretário de seu governo em Minas Gerais. “Está todo mundo dizendo que fui convidado para seu governo, o que digo?”, indaga o deputado ao avô do agora senador Aécio Neves, que, mineiramente, responde: “diga que te convidei e que você não aceitou”. A primeira vez que ouvi esta história foi no início do primeiro mandato do prefeito Braz Melo, quando ele, sem jeito para desconvidar um companheiro que se intitulava secretário, incumbiu sua fiel escudeira Elizete Cavalcante de defenestrá-lo de uma das primeiras reuniões de seu primeiro escalão, à qual o dito cujo compareceu sem ser convidado.
Assim está o senador Delcídio do Amaral. Manda plantar notícias a respeito do convite que teria recebido para o Ministério das Minas e Energia, que ficou mais poderoso ainda depois do pré-sal, com a ressalva de que é “amigo” da presidente Dilma, aí vem o senador José Sarney, um dos avalistas da aliança PMDB-PT, cujo afiliado político, Edison Lobão, é o titular da pasta e lhe dá um chega pra lá. Não por coincidência, Dilma Rousseff também é mineira.
Depois de ter ficado na fila do gargarejo durante a primeira aparição pública de Dilma Rousseff como presidente eleita, num hotel de Brasília, onde teria comparecido só para entregar uma santinha para ela usar como amuleto, o senador corumbaense agora vem com essa conversa que não aceita o ministério, que seu negócio é trabalhar para ser governador daqui a quatro anos. Será que como ministro não se cacifaria mais?
Como gosta de dizer a colunista Ester Figueiredo, do Correio do Estado, conta outra vai! Logo Delcídio, cujo item do currículo que mais se orgulha são os cerca de noventa dias em que esteve ministro da mesma pasta, já no apagar das luzes do governo Itamar Franco?
