20/11/2010 – 10:11
Eles eram uns “broncos”, uns “primitivos”, uns “retardatários”, uns “retrógrados”, uns “impotentes”, uns “passivos”. Eles eram “uma turba de neuróticos vulgares”, de “desvairados”, de “desequilibrados incuráveis”. Eles eram “uma gente ínfima e suspeita, avessa ao trabalho, vezada à mândria e à rapina”. Eles eram dotados de uma “moralidade rudimentar”, com uma série de “atributos que impediam a vida num meio mais adiantado e complexo”. Eles eram um retorno “ao estado mental dos tipos ancestrais da espécie”.
Não. Não estou me referindo à turma do Valdecir (foto), mas aos fanáticos de Antônio Conselheiro, dos quais, segundo Diogo Mainardi, na última edição de Veja, Euclides da Cunha forjou o “caráter nacional”.
Já escrevi aqui que não aprecio os escritos de Mainardi, principalmente pelo seu pedantismo. Não consigo chegar até o fim de suas colunas. E o trecho com o qual abro este post é exatamente a última parte do artigo em que ele chama Chico Buarque de Holanda de “oreia” (dá pra ler um sujeito desses?), por ter votado em Dilma Rousseff. Tanto que só agora, depois de uma semana é que o reproduzo, assim mesmo porque Anita achou interessante, desconfiada de que faria exatamente o que agora se sucede.
Se naquela época, pelo entendimento de Mainardi, Euclides da Cunha compreendia assim a mente e o comportamento dos brasileiros, resta curvarmo-nos diante dos desígnios do Criador, pela constatação de quão lento é o processo de evolução da humanidade, pois lá se vai mais de um século e, na terra de seu Marcelino, este tipo de gente ainda tem vez, voz e voto! Será que é a reencarnação do bando de Conselheiro? Não, Dourados não merece ser a Canudos do século XXI.
