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quinta-feira, julho 2, 2026

Valdecir, um Herzog às avessas

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21/11/2010 – 10:11

Foto: Anita Tetslaff

 

Maria Artuzi, toda cheia de graça, Rigo e o Valdecir: agora, todos em papos-de-aranha.

O peixe morre pela boca. Jornalista que se mete com regimes ditatoriais ou com gângsteres, aparece morto com a boca cheia de formiga. Ou, na cadeia, “enforcado” com o cinto do macacão de presidiário. Político que fala demais, a exemplo do peixinho, também pode ir para o beleléu, mesmo em plena piracema.

Não é segredo que o nosso inquebrantável Valdecir falava aos quatro ventos que se a polícia lhe colocasse as mãos abriria o bico, podendo levar para a braquiária, junto com ele, a companheirada dos tempos em que esquentou o banco na Assembleia Legislativa. Não foi preciso. Seu ex-colega de bancada, Ary Rigo se encarregou do serviço, provocando a tsunami que se seguiu ao furacão douradense.

Semana passada, depois de um tête-à-tête de Ari Valdecir com o desembargador Claudionor Abss Duarte, no Tribunal de Justiça, surgiu a história de uma possível renúncia. E, em meio a tanta coisa séria – e grave! – a piada dando conta do arroubo do espevitado Valdecir diante de Claudionor: “mas como o senhor pode me julgar se o Rigo falou que é um dos nossos?”.

Agora, além de desmentir a hipótese da renúncia, o advogado do prefeito douradense preso, Carlos Marques, põe ainda mais lenha na fogueira, para o desespero daqueles que estão no olho do furacão: seu cliente pode, sim, negociar a delação premiada. Ou seja: contar tudo o que sabe. Aí sim, vai ser um deus nos acuda. Não chega uma onça pintada solta no Parque dos Poderes e a visitinha “de cortesia” ao Estado da corregedora Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça?

Entre as muitas informações que vazam a respeito das consequências dos processos das operações Owari e Uragano que sacudiram Dourados e agora começam a minar as estruturas do Estado, uma das mais intrigantes é a de que o Valdecir só foi transferido para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande depois de uma missiva que teria enviado ao ex-chefe Jerson Domingos, o todo poderoso presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul.

O que teria escrito de tão ameaçador o homem que, a exemplo de sua excelência, o deputado eleito Tiririca, mal sabe assinar o nome? Será que, a esta altura do campeonato resolve, para o establishment, apenas deixar o Valdecir trancafiado no mais seguro dos presídios brasileiros? Por via das dúvidas, melhor que lhe tirem o cinto do macacão de presidiário, para que o Mato Grosso do Sul não produza um novo Vladimir Herzog. Às avessas, evidentemente.

 

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