29/11/2010 – 09:11
Dependendo do que a Câmara decidir nas próximas horas quanto ao processo de cassação do prefeito de Dourados e seu vice a prefeita interina Délia Razuk (foto), candidatíssima à sua própria sucessão, pelo PMDB, deverá ter pela frente um dos dois pesos pesados do Democratas: o vice-governador cuê Murilo Zauith, se a disputa for direta, ou o deputado Zé Teixeira, no caso de eleição indireta, ou seja, sendo a escolha feita pelos vereadores que restaram da operação Uragano. Se a Câmara der conta de pôr Valdecir e Cantor pra correr até o final deste ano, caberia ao povão escolher um novo prefeito; caso contrário, a disputa é no plenário da própria Casa, onde qualquer cidadão, devidamente alistado eleitoralmente, pode tentar ser prefeito, inclusive, dois ou mais candidatos pelo menos partido.
Sendo direta a eleição extemporânea Murilo tem a vantagem de estar à frente nas pesquisas, fortalecido pelo recall da recente disputa para o Senado, a partir da qual passou a ser o político mais votado da história da terra de seu Marcelino. Sem contar que poderá se vangloriar por “ter avisado” os douradenses, como candidato na eleição passada, quanto aos riscos que corriam com o Valdecir. Délia Razuk, embora há pouco tempo sentada na cadeira que ainda pertence ao Valdecir, vem mostrando que não está para brincadeiras e leva a enorme vantagem de ter o controle da sempre azeitadíssima “máquina” de fazer política, que é a prefeitura.
O PMDB tem outros pretendentes, em caso de votação popular, entre eles os deputados Marcal “Príncipe das Astúrias” Gonçalves Leite Filho e Geraldo “Tratorzinho” Pereira Resende. Pelas pesquisas, estariam em segundo e terceiro lugares, respectivamente, mas sabem que na hora do “pega pra capá” o buraco é mais embaixo. Sem contar que o governador André Puccinelli, embora dizendo não querer meter o bedelho, é simpático à candidatura Zauith, que considera imbatível e com quem tem uma dívida de gratidão pela fidelidade canina com que se comportou como vice-governador, além de ter ido para o sacrifício numa eleição de cartas marcadas para o Senado.
Marçal Filho, além do mais, dificilmente teria condições de ser candidato, muito menos prefeito, já que não desgruda o traseiro da cadeirinha de locutor de sua rádio FM nem que a vaca tussa. Geraldo Resende, mesmo consciente da forte rejeição ao seu nome por parte dos eleitores da terra onde um dia foi picolezeiro e jornaleiro, tem a seu favor apenas a tese da “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
Como bom pecuarista e assíduo frequentador de leilões caberia ao deputado Zé Teixeira a missão de dar lances apenas em caso de eleição indireta, no plenário da Câmara, já que desta disputa, definitivamente, Murilo Zauith não participaria. O problema para seu Zé, neste caso, é que também aqui a adversária é Délia Razuk. E o nome Razuk, quando se trata de cartadas em recintos fechados, o deputado conhece muito bem e sabe o peso que tem.
Dificilmente o PT ou outro partido lançariam candidato, em caso de eleição extemporânea. Setores petistas defendem, inclusive, uma aliança do partido com o PMDB, lançando o candidato a vice-prefeito.
