01/12/2010 – 09:12
Quando encerrei meu post anterior escrevendo que a chicana jurídica encontrada pelo Procurador Geral da Prefeitura, Sérgio Henrique Araújo, para manter Délia Razuk na presidência da Câmara – e, consequentemente, na prefeitura, por dois anos – não deixa de ser uma questão de bom senso é porque esta é a mais absoluta verdade. Até o “faz de tudo” deputado Geraldo Resende, o mais assanhadinho com a possibilidade de uma eleição extemporânea, e o vice-governador cuê Murilo Zauith, o líder das pesquisas, no fundo, no fundo, torcem para que se estabeleça o imbróglio jurídico. Sim, porque tanto Geraldo quanto Murilo, potenciais candidatos numa disputa convencional, com apoio de centenas de candidatos a vereador e das máquinas fazedoras de votos e preparadas para funcionar nestas ocasiões, não gastariam cartucho para ficar apenas dois anos na prefeitura, sendo que, se tiverem um pouquinho, só, de paciência podem concorrer para governar quatro anos e, aí sim, desde que fazendo bom trabalho, podendo se credenciar para mais quatro.
A declaração do governador André Puccinelli, ontem em Dourados, em apoio a um candidato a prefeito do PMDB, é um indício de que também ele aposta não num impasse jurídico mas numa solução do tipo deixa como está pra ver como é que fica. Cai do cavalo, portanto, quem aposta que André, macaco velho em política, vai jogar para escanteio, assim tão facilmente (como se isso fosse permitido), a bola que, neste momento, está na marca do pênalti para que Murilo Zauith bata colocado num gol que, a esta altura do campeonato, nem goleiro adversário deve ter.
Aliás, foi muito estranha a vinda do governador André Puccinelli ontem a Dourados, sem ao menos avisar a “cupinchada” ou, só o fazendo quando dois dos principais protagonistas (Geraldo Resende e Marçal Filho) deste provável confronto já estavam em Brasília. Ficou a impressão de que a inauguração de uma agência do Banco do Brasil foi apenas o pretexto para um “teretetê” de pé-de-orelha com Délia Razuk, a prefeita interina, que é do seu partido e que, por “ene” razões, seria a melhor solução para o Governo à frente da prefeitura, daqui para a eleição de outubro de 2012.
Além do mais, só Délia Razuk teria, neste momento, pelo tamanho da estrutura que comanda, bala na agulha para tocar uma eleição como a que se apresenta, no caso de cassação dos mandatos de Valdecir e Carlinhos Cantor. Murilo Zauith, mesmo líder das pesquisas e com o tal recall da eleição que acaba de disputar para o Senado, todo mundo está cansado de saber, não vai gastar dinheiro da Unigran com eleição. Geraldo Resende, mão-de-vaca como ninguém, deve, ainda, estar acertando as contas da eleição que também acaba de disputar, o mesmo valendo para Marçal Filho, na verdade, a menina dos olhos de André para a prefeitura, mas que não faz muito esforço para chegar lá. E Tetila, a grande força da oposição, propriamente dita, mesmo com os pepinos da Owari, está mais faceiro que ganso novo em taipa de açude, torcendo para que o esqueçam, ou pelo menos que o deixem quietinho na Assembleia Legislativa.
Assim sendo, diante do caos administrativo e político que se estabeleceu em Dourados depois do furacão Valdecir, que fique o discurso da eleição direta-já para os demagogos sem-votos, gente que muito pouco tem o que fazer na vida, a não ser protestar, protestar e protestar, até para desviar a atenção do que pode estar acontecendo no intramuros das entidades que representam, algumas delas cujos dirigentes são sempre os mesmos, os mesmos que tanto defendem a democracia.
Enfim, como gosta de lembrar Cícero Faria, invocando o antológico conceito do senador pernambucano Marco Maciel para essas ocasiões: tertúlia flácida para bovino dormitar. Ou seja: conversa mole para boi dormir.
