02/12/2010 – 07:12
No país conhecido como o da piada pronta não chega a surpreender que a realização de eleição direta extemporânea para a substituição de Ari Valdecir Artuzi na prefeitura de Dourados só se dê, agora, em consequência da vontade do próprio renunciante. Até aqui o jogo era das chicanas, num imbróglio que interessava aos próprios pretendentes à cobiçada cadeira hoje ocupada por Délia Razuk, uma vez que o eleito nestas condições teria, inevitavelmente, a desvantagem de, na melhor das hipóteses, ter um mandato de apenas seis anos, contando aí já o benefício da reeleição.
Na carta-renúncia, evidentemente escrita por alguém que não o Valdecir, que é semianalfabeto, o cinismo é gritante. “Esclareço que renuncio para garantir ao povo de Dourados a realização de eleições diretas de imediato, acabando de vez com a discussão que está sendo travada, infelizmente, na forma das futuras eleições, com inúmeros interesses de uns e de outros, para que as eleições sejam diretas ou indiretas. O povo tem o direito de escolher livremente o meu sucessor, em eleições diretas e transparentes, o que não ocorrerá se as eleições forem indiretas, como alguns querem fazer”.
Além de cínico, arrogante: “O povo tem o direito de escolher livremente o meu sucessor, em eleições diretas e transparentes”. Quem, falando em transparência!
Mas o cinismo não para por aí. Para Valdecir “o jogo político hoje existente na Câmara Municipal levará a minha cassação, independente de qualquer defesa que eu apresente, como se denota (será que ele sabe o que é isso?) das várias decisões já proferidas pela Câmara, que se recusa até mesmo a intimar minhas testemunhas de defesa (coitadinho) para depor, mesmo sabendo da minha condição de preso. Não é um processo que segue as garantias constitucionais, mas sim um processo de cartas marcadas, de forma que não me submeterei ao teatro (?) que se faz em torno de tal questão”. Cartas marcadas? Não! O Valdecir não é de aceitar cartas marcadas!
Cá pra nós, será que o ex-prefeito Valdecir acreditava mesmo ter alguma chance de defesa?
E para que não pairem dúvidas quanto aos seus bons propósitos, o ex-prefeito “esclarece” que a renúncia “é feita de forma livre e espontânea”, expressando seu “efetivo e real desejo”. Huuummmm
Bem, agora, já que este é o desejo do Valdecir!, cumprindo-se o artigo 81 da Constituição Federal, dentro de 90 dias Dourados terá que eleger seu novo prefeito.
Quanto ao pedido de renúncia, formalizado ontem à tarde junto à Mesa Diretora da Câmara Municipal, foi antecipado aqui no blog no dia 17 deste mês. E, como de praxe, desmentido por seu advogado Carlos Marques.
