07/12/2010 – 09:12
O pano de fundo hoje é bem diferente de 1992, mas alguns dos personagens são os mesmos. Se no ano em que Braz Melo encerrava sua primeira administração estourando a boca do balão e se credenciando como candidato a governador o pomo da discórdia era Antonio Nogueira, hoje quem faz confusão na pequena área é Geraldo Resende (foto), embora o mesmo Nogueira também continue por ali, na esperança de que Resende dê a ele uma segunda chance ou que role a bola para a agora patroa Délia Razuk, à época sua reserva no jogo em que Humberto Teixeira levou a melhor com um gol de placa de Valdenir Machado, expulso do time de Braz.
Em 92 Pedro Pedrossian fazia seu último governo e Wilson Barbosa Martins havia preparado o espírito para encerrar a carreira como senador, passando a bola para Braz Melo. Como Braz preferiu entregar o jogo Humberto Teixeira a ver o pupilo Valdenir levantar a taça, teve que se contentar em sair candidato a vice de Wilson (“sacrificado” para mais quatro anos no Parque dos Poderes) para, depois voltar à prefeitura, encerrando a carreira com uma vexatória tentativa de se eleger deputado estadual ao fim de seu segundo mandato como prefeito.
Hoje, no limiar de seu segundo mandato como governador, André Puccinelli (o grande favorecido pela lambança de Braz Melo) é quem dá as cartas, ainda, no PMDB estadual, mas, diante desta briga fratricida pela prefeitura de Dourados, pode tranquilamente dar uma de Pôncio Pilatos, seu colega governador que lá atrás lavou as mãos, deixando que Jesus Cristo se estrepasse na cruz.
O deputado Geraldo Resende, que não consegue decolar nas pesquisas e não tem o consenso nem entre a companheirada de partido, insiste em dizer que chegou sua vez, repetindo o erro de Braz Melo, não por coincidência seu funcionário, hoje. Ao propor aliança com os adversários, Geraldo mira em Murilo Zauith, assim como Braz mirou em Valdenir Machado. E, mais uma vez, o tiro pode sair pela culatra.
Pior, para Gerado Resende e para o PMDB. Humberto Teixeira pintou como azarão, entrou numa dividida e deu sorte. Murilo Zauith vem planejando este jogo faz tempo. E, não se esquecendo, é do Democratas, mas aliado político de André Puccinelli, que tem plena consciência do tanto de votos que ele tem.
