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As bandalheiras que fazem um persona non grata

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21/12/2010 – 22:12

Na segunda metade da década de (um mil novecentos e) sessenta o radialista Jorge Antonio Salomão ganhou um título sui generis da Câmara Municipal de Dourados – o de persona non grata. As razões dos nobres edis? Jorge Antonio baixava o porrete de mamando a caducando na raça dos políticos. E olha que naquela época não tinha essa história de mensalão nem de mensalinho; de sacolinhas pra lá e pra cá. Prefeito e vereadores nem salários tinham. Uma das maiores vítimas do “turco”, como o chamava, o maquiavélico prefeito João Totó Câmara resolveu “entregar” a prefeitura a Salomão, para que ele soubesse com quantos paus se fazia uma canoa. Meses depois lá estava Jorge Antonio, sendo reverenciado pela mesma Câmara. O povo de Dourados concedeu-lhe o título de prefeito, numa eleição em que derrotou o candidato “apoiado” por Totó Câmara, Theotônio Alves de Almeida.

Há dias vinha gastando meus neurônios para fazer a conexão desta historinha de meu querido velho Jorge (ícone do rádio do Mato Grosso do Sul) com o maior escândalo de corrupção da história da cidade por ele um dia governada. Pensei em amarrá-la com as muitas ameaças de morte que venho recebendo, pois ele também passou por isso. Depois, diante de tanto servilismo (com raras exceções), dessa moçada que hoje manuseia a “latinha”, cheguei a rascunhar alguma coisa para citá-lo como exemplo de bom jornalismo. Jorge Antonio não só foi o mais ácido dos críticos na radiodifusão, como também o diretor que dava ampla liberdade para a notícia nua e crua. Até que hoje à tarde um espírito (e só pode ser do próprio Jorge Antonio) bondoso acabou com meu dilema.

Enquanto esperava Anita em suas intermináveis pesquisas de preços na Casa China, depois de apresentado a um internauta do Rio de Janeiro que disse ler o blog diariamente para acompanhar o desenrolar da crise douradense, e de ser reconhecido por um colega tuiteiro de Campo Grande, sentei-me para uma cruzadinha básica. Afinal, prevenir é preciso (o Alzheimer) e aliviar, já, as terríveis dores na coluna. E vejam só o “Desafio” (confira os garranchos ao lado) que tenho em mãos. Da série “Cuca”, difícil, número 265, pág. 16. A primeira vertical pede o “termo que indica que o indivíduo não é bem-vindo”. E, cruzando com esta resposta, na horizontal da última linha, o que me chamou a atenção – “descumprimento generalizado das leis”.  Sempre lerdo das ideias, fiquei um tempão matutando, até que, depois de um cafezinho com chipa paraguaia, heureca! De cima pra baixo, cravei “persona non grata” e, lá embaixo, a palavra-chave do enigma: “bandalheira”. Quer dizer, mais ou menos o que o Valdecir e sua quadrilha acabam de aprontar com Dourados.

Nesta minha missão de ajudar a denunciar tanta bandalheira ganhei alguns desafetos, perdi alguns “amigos” (desses que gostam de cuspir no prato que comeram) e outros estão por aí de nariz torcido. Não sou ainda, pelo menos oficialmente, um persona non grata de minha cidade, mas por via das dúvidas, começo a pensar, seriamente, em me candidatar à sucessão de Murilo Zauith daqui a seis anos (alguém duvida que ele vá se reeleger em 2012?). Como não só as histórias das bandalheiras se repetem, vai que eu dê a mesma sorte do velho Salomão. 

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