21/12/2010 – 07:12
Foto/arquivo
Namoro antigo, agora com noivado no Natal e casamento no Carnaval.
Só não dá pra se dizer que é uma candidatura de consenso suprapartidário, para um mandato tampão, depois do furacão Valdecir, porque há aqueles que torcerão o nariz, mesmo entre os partidos da base aliada. Além do mais, como dizia, sabiamente, o grande jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Mas depois da passagem do governador André Puccinelli ontem por Dourados, batendo o martelo no PMDB em confirmação àquilo que ele sempre pregou, parece que não há mais dúvidas: Murilo Zauith, líder dos democratas, engenheiro, empresário dos mais bem sucedidos e, não por coincidência, atual vice-governador do Estado, será consagrado hoje como candidato a prefeito na eleição fora de época marcada para 6 de fevereiro próximo.
Murilo Zauith chega à convenção do Democratas com apoio confirmado de nove partidos, entre os quais parceiros de primeira hora como o PSDB, PR e PTB. A entrada do PMDB no pacote praticamente define as eleições, que “caíram no colo” de Zauith conforme avaliação do presidente do Ibrape, Paulo Catanante, um analista em pesquisas eleitorais. Para ele, com uma campanha tão curta, não dá tempo de reverter a ampla vantagem do democrata “ainda mais agora com o André liberado pelo PMDB para apoiá-lo”.
Para fechar o arco suprapartidário entre as grandes forças da política douradense só falta o PT, que aguarda uma autorização da direção nacional do partido. Mas já há precedentes de união entre a duas siglas, ideologicamente arquirrivais, sem contar que o namoro entre Murilo e o PT (com Zeca e Tetila, principalmente) é antigo e em eleições anteriores, por muito pouco não fecharam alianças. O único empecilho ao apoio do PT à candidatura democrata é a insistência da ala xiita com candidatura própria. Mesmo aliados mais próximos do PT, como o PDT, torcem por esta composição, sendo o ex-prefeito José Elias Moreira um dos mais entusiastas da idéia.
Esta é a terceira tentativa de Murilo Zauith. Na primeira vez, em 2000 a divisão entre os partidos aliados, com PDT e PSDB, lançando candidaturas sem nenhuma chance de vitória facilitou em muito a vida do petista Laerte Tetila, reeleito em 2004. Em 2008 o “fenômeno” Artuzi acabou com a festa democrata e jogou Dourados no abismo do qual se tenta sair agora. Sim, toda unanimidade é burra, mas nunca é tarde para se ter juízo.
