30/12/2010 – 08:12
O xerife Bráulio Gallloni, comandante em chefe das investigações que resultaram na prisão e, depois, renúncia do prefeito Ari Valdecir Artuzi e boa parte de sua quadrilha, que reforce a segurança dos portões da majestosa sede da Polícia Federal de Dourados caso não queira ver o pátio destinado à guarda de produtos e bens de narcotraficantes e de políticos corruptos se transformar num chiqueiro de porco ou numa invernada. É que o Valdecir, tão logo saiu da cadeia, prometeu que se a Justiça não liberasse suas criações para delas tirar o sustento de sua família soltaria os bichos lá. Nas mesmas entrevistas o ex-prefeito mandou também a justiça rastrear seus bens, conferir as matrículas de seus imóveis nos cartórios. Pois não é que ele acaba de ser atendido?
O bloqueio de quase R$ 200 milhões, grana surrupiada pelo Valdecir e sua quadrilha, aí incluidos vereadores, secretários municipais, empreiteiros e até a santa e imaculada cúpula do benemerente Hospital Evangélico (afinal, a vida não pode parar!) anunciado ontem pelo juiz da 4ª. Vara Cível de Dourados vem como presente de papai Noel um pouquinho atrasado aos douradenses, mas para fechar 2010 com chave de ouro, já que, parafraseando o presidente “sainte”, o Luiz Ignácio, nunca antes na história da terra de seu Marcelino se roubou tanto.
O quadro (ao lado) com a relação do povo da mão leve publicado hoje no Correio do Estado, não deixa dúvidas: a turma do Valdecir entrou na prefeitura com um único propósito – o de roubar, roubar e roubar. E se alguém estranhar a ausência, nesta relação, do nome do vereador Jr. Teixeira, um dos mais vorazes do time do Valdecir, segundo Galloni, é porque quando do rastreamento no sistema do Banco Central, não foi achado um único tostão furado na conta dele, “tadinho”. Mas o vereador petista e atual presidente da Câmara, Dirceu Longhi, dançou com os míseros 4 reais e 71 centavos que tinha de saldo, bloqueados para cobrir o rombo da parte que lhe toca no esquema, R$ 15 mil.
De todos os larápios o que terá que devolver mais grana aos cofres públicos é, evidentemente, o chefe da quadrilha, o Valdecir: a bagatela de R$ 34 milhões e mais uns quebrados. Só os quebrados, quase R$ 12 mil, já daria para fazer uma baita festa de réveillon em hotel de frente para o mar, em qualquer uma das mais caras praias do litoral brasileiro. Mas, esperto como seu fiel escudeiro Junhinho Teixeira, tinha “apenas” R$ 854,37 em conta, que foram bloqueados.
O que mais se ferrou, em princípio, foi o ex-todo poderoso diretor do Hospital Evangélico (engenheiro, não médico!) Paulo Roberto Nogueira. Como vocês podem ver, ele é o segundo da listagem, com R$ 17 milhões bloqueados, mas dando bobeira de deixar R$ 315 mil em conta corrente, graninha considerável que poderá amenizar o sofrimento de muitos dos pacientes do SUS, como aqueles que durante anos ficaram sentados em cadeiras de fios pelos corredores da “ala pobre” enquanto o hospital investia pesado na ala para atendimento dos endinheirados e conveniados, de onde sai o famoso retorno. O substituto de Paulo Nogueira, pastor Marco Aurélio Areias, também teve uns caraminguás bloqueados, mas tal qual o antecessor e o administrativo do hospital, Eliezer Branquinho, também terá que devolver aos cofres públicos igual quantia: R$ 17 milhões. A Justiça só não bloqueou os bens do próprio hospital (imaginem o tamanho do rombo) para não piorar a situação dos pobres coitados que precisam de atendimento “de grátis”.
Não custa lembrar que o Valdecir foi eleito em cima de um discurso demagógico de acabar com os problemas da saúde do município, exatamente por seu know-how de despejar doentes de suas Vans, dia e noite, na porta do mesmo Evangélico.
Todos, de mamando a caducando, são arrolados pelo Juiz Carlos Alberto Rezende Gonçalves, como integrantes de um grande esquema criminoso de desvio de dinheiro público, comandado pelo ex-prefeito Valdecir. O bloqueio judicial pega imóveis, veículos e dinheiro. O magistrado destaca em sua decisão a “magnitude do esquema investigado, no qual se vê o envolvimento de setores públicos diversos”, lembrando que a roubalheira ia de empresas de recolhimento de lixo, passando pelas famosas operações tapa-buracos, denunciadas, com exclusividade, com documento e tudo, aqui no blog e pelo transporte escolar, até, pasmem! chegar ao serviço de saúde pública.
Que Dourados, agora de alma lavada e enxaguada, começe tudo do zero em 2011.
