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Oh, céus!

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03/01/2011 – 10:01

O primeiro mandato foi de muitas lágrimas, mas “o tempo de chorar pelos problemas assumidos ficou para trás há quatro anos”. Para o governador reempossado André Puccinelli “2011 é o tempo de esquecer-se das coisas que ficaram para trás e avançar para as que estão diante de nós”. No discurso lapidado por seu ghost-writer preferido, Uilson Morales, um  adepto da cartilha do reformador Martinho Lutero, André disse que “com fé em Deus e participação de todos chegou a hora de anunciar a Mato Grosso do Sul que o futuro chegou”.

Não tive o privilégio de estar na posse de André Puccinelli, como há 32 anos, transmitindo ao vivo para a rádio Clube de Dourados, quando assumiu o primeiro governador de Mato Grosso do Sul. Do bigodudo Harry Amorim Costa (ultimamente só lembrado como nome de presídio para onde a polícia manda alguns políticos corruptos da terra de seu Marcelino) a André foram anos e anos de sonhos e pesadelos, diante das tantas trapalhadas dos governantes do Estado que nasceu para ser modelo mas que acabou a reboque daquele que durante cem anos lutou para se livrar.

Por causa das brigas pelo poder o Mato Grosso do Sul perdeu, praticamente, seus primeiros dez anos, já que o primeiro governador eleito (em 1982), Wilson Martins tentou administrar o amontoado de obras iniciadas nos governos seguidamente interrompidos, do próprio Amorim, depois de Marcelo Miranda e de Pedro Pedrossian. Mesmo assim, o governador que assumiu dez anos depois da divisão, Marcelo Miranda, embora tenha feito um trabalho considerável, não conseguiu terminar as obras iniciadas por Pedrossian e teve um final de governo melancólico, sendo necessários mais dois períodos e, de novo, de Pedrossian e de Wilson, para que as coisas começassem a entrar nos eixos.

Zeca do PT, já no limiar do terceiro milênio, inaugurou uma nova era. De governo populista, mas de poucos resultados práticos, não conseguindo, por exemplo, resolver o problema dos sem-terra que historicamente tanto ajudou, inclusive abrindo colchetes para invasões, não só como militante petista mas também como deputado estadual. Tal qual Marcelo Miranda teve, também, um melancólico final de governo, chafurdado até o cavanhaque em denúncias de corrupção.

Trinta anos depois André Puccinelli era, pois, a grande esperança para o futuro que ele diz agora ter finalmente chegado. Nestes quatro primeiros anos ficou uma pontinha de “quero mais”, muito mais pelos comparativos que se faz com as duas grandes administrações dele como prefeito de Campo Grande do que pelo que efetivamente fez. Certamente pela certeza da reeleição e pelas circunstâncias não tão favoráveis de ter um governo central de oposição, embora não tenha muito que reclamar de sua então fada madrinha e hoje presidente Dilma Rousseff, André, como bom piloto de kart, acelerou, mas não a ponto de correr o risco de uma derrapagem nas curvas das muitas BR e MS inacabadas como, por exemplo, a tão decantada perimetral Norte de Dourados.

No caso específico de Dourados, se mais não fez, com certeza, foi por causa das trapalhadas do prefeito de plantão, o Valdecir, com quem era difícil de se estabelecer uma sintonia. Sem contar o furacão que levou para a cadeia além do próprio Valdecir boa parte dos políticos da cidade que ele considera a mais “difícil” de se lidar do Estado.

Por essas e outras encrencas, algumas consequência já da aliança da reeleição é que talvez André Puccinelli precise, neste segundo mandato, em vez de lágrimas, de muitas, mas muitas orações. E que dos céus, ele espera e torce, venha a iluminação que faltou nestes primeiros quatro anos, abrindo-se, então, o estradão que ele sempre vislumbrou para, se não encerrar, pelo menos ficar uns tempos no salão azul do Congresso Nacional – o próprio céu, na definição de todo político que pensa grande.

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