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Azambuja, a próxima vítima do Diário-MS?

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15/01/2011 – 11:01

O deputado estadual e agora eleito federal tucano Reinaldo Azambuja (foto) precisa tomar muito cuidado para não ser a próxima vítima da “maldição” que vem se abatendo sobre aqueles que se aventuram a assumir o “espólio” de Vitor Cales, no Diário MS, de Dourados. Primeiro foi Sandro Barbara. Comprou o jornal num dia, no outro foi pra cadeia, acusado de envolvimento com a quadrilha do Valdecir (ex-prefeito, também preso e renunciado), na Operação Owari. Depois o corretor de imóveis Rodrigo Medeiros. Bastou sondar a possibilidade de comprar o diário, colocando titia Idete como laranja e lá se foi mamãe, Ignês Medeiros, então Secretária de Fazenda do Valdecir, também para no xilindró, esta, vítima da operação Uragano, também parte da quadrilha do Valdecir.

A nova operação que tenta salvar o Diário MS da derrocada é mais intrincada, mas, pelo menos desta vez, envolveria gente do ramo. Aparecendo como compradores, os irmãos Marco Antonio Rodrigues, dono de uma produtora de vídeo em Dourados, e sua irmã, Márcia, mulher de ninguém mais ninguém menos que Antonio João Hugo Rodrigues, o todo poderoso do Correio do Estado. Por trás, como “avalista” da transação, o Azambuja, cujas pretensões políticas não se limitam à cadeira do prefeito Nelsinho Trad, já nas próximas eleições municipais. O moço, como gosta de escrever Alfredo Barbara, que ficaria sem coluna no Diário, tem olhos de lince e já enxerga, ao longe, a cadeira do governador André Puccinelli. Currículo? Registro de muitos bois na invernada e o da pavimentação asfáltica de “todas” as ruas da pequena Maracaju, onde foi prefeito oito anos.

Esta história de político comprar jornal é velha, e nunca acaba bem. No Mato Grosso do Sul, o primeiro a fazer uma tentativa foi José Elias Moreira. O prédio onde hoje está sua rádio Caiuás, na Marcelino Pires, comprado do correligionário Adão Sacadura, foi adaptado para funcionar como o que prometia ser o mais moderno jornal do Estado. Para editá-lo Zé Elias, então prefeito de Dourados, chegou a trazer para chefiar sua redação um dos melhores jornalistas do Brasil, Carlos Alberto Sáfadi, à época um dos editores do Jornal do Brasil. O Jornal de Zé Elias nem chegou a circular.

A história se repetiu mais tarde com Londres Machado. O eterno deputado fatimassulense ficou alguns anos ameaçando lançar o que também seria o maior jornal do Estado. Sede própria em Campo Grande, rotativas prontas para rodar e, nada de jornal, até hoje. Disse-se à época que Londres pipocou, com medo da “caneta”  de Antonio João que, coincidência ou não, comprava, mais ou menos na mesma época, o que havia sobrado do espólio de Assis Chateaubriand em Campo Grande – o Diário da Serra.

Outros projetos menos audaciosos chegaram a sair do papel, como o Jornal da Praça, em Ponta Porã, do grupo político de Gandhi Jamil e O Panorama, em Dourados, comprado por Roberto Razuk, primo de Gandhi e deputado logo a seguir. Era neste jornal, de Razuk, que trabalhava, como mecânico-linotipista, Vitoriano Carbonera Cales, simplesmente, Vitor, que, mais tarde, como afiliado político de Londres Machado montaria um jornalzinho semanário para circular em Fátima do Sul, que acabou sendo o embrião do Diário-MS, a massa falida da qual tenta se desfazer desde que “vendeu” para os Barbara.

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