20/01/2011 – 10:01
Ao cruzarmos com estrelas ultimamente não tão brilhantes do petismo do Mato Grosso do Sul ontem à tarde no Shopping China, em Ponta Porã, Anita tascou, assim, “de prima”, a pergunta que talvez seja a razão do azedume dos bofes de Zeca do PT nesses dias que precedem o casamento de seu partido com o demo Murilo Zauith, em Dourados: “O Zeca não volta mais para o governo, né?”. Não! respondi, de sopetão, modéstia à parte, baseado em tudo que já respirei de política neste Estado, desde sua criação.
Não parei para assuntar a razão do rega-bofe à base de empadinhas do Raulito e da legítima roasted potato do companheiro André Tetila (além, claro, de chopinho Brahma), mas numa mesa com dois ex-prefeitos de Ponta Porã – o petista Vagner Piantoni e o pedetista Oscar Goldoni (coordenador da última campanha de Zeca na fronteira), mais o braço direito do zequismo, Ananias Costa – o assunto só poderia ser a sucessão na principal prefeitura da região de fronteira.
Excepcionalmente ontem, com certeza, os próceres petistas deveriam ter muito o quê conversar, diante das notícias sobre o “repúdio” de titio Zeca às negociações encabeçadas pelo sobrinho Vander Loubet, não só com os democratas de Dourados, mas também com vistas, já, à eleição de 2012 na capital do Estado, à qual o deputado pretende concorrer, mesmo sabendo das pretensões não apenas do tio, como também de titia Gilda.
A questão que fica, uma vez consumado o casamento PT-DEM em Dourados é a seguinte: Se a coisa funcionar bem na terra de seu Marcelino servirá de exemplo para o resto do Estado nas eleições de 2012? Na terra de Dom Kayatt, por exemplo, onde parece existir hoje aquele sentimento do país vizinho na era Stroesner, quando o voto era “sim” para ficar, “não” para não sair, será que junta todo mundo?
O esperneio de Zeca agora não tem nada a ver com a composição do PT com o DEM, do Murilo com quem posou para foto “de campanha” para a mesma Anita e com quem sonhou como seu vice ou até mesmo como candidato a senador nas eleições passadas. Zeca chora o leite derramado lá atrás, em 2006, quando, ao final de seu governo, em vez de sair candidato a senador embirrou para não passar o governo ao douradense Egon KKK, com aquela conversa fiada de que ele e Gilda não gostavam de Brasília. Se Egon, com uma mão na frente outra atrás, teve 456 mil votos para o Senado, mais até que os 450 mil recebidos pelo candidato ao governo petista Delcídio do Amaral, Zeca, com a máquina do Estado, não ultrapassaria os 607 mil votos de Marisa Serrano?
Ah se arrependimento matasse! Já imaginou Zeca do PT senador, com o amigo do peito e companheiro de biritas Lula da Silva presidente da República? Nenhuma dúvida de que, no mínimo, Dourados teria emplacado seu primeiro ministro – Raufi Marques!, claro, entre muitas outras coisas. Para sorte de André Puccinelli, não fosse a amarelada de Zeca, ali, a história, inclusive das eleições de 2010, poderia ter sido bem diferente. Daí a razão do rio de lágrimas que já já acaba desaguando no Paraguai, lá pelas bandas do Estrela Vermelha. E que venha o demo!
