25/01/2011 – 19:01
Foto: Anita Tetslaff
Sem assombrações: daqui pra frente a caneta é dele, com as bênçãos, por enquanto, de Puccinelli.
Murilo Zauith não convidou nem convocou o PT para com ele compor a mais inusitada das alianças políticas que se poderia imaginar para alguém chegar à prefeitura de Dourados. Simplesmente aconteceu. A coisa vinha amadurecendo havia tempo, desde o início da primeira administração de Laerte Tetila, quando ele começou a sonhar com o Senado. Depois, o namorico com Zeca do PT, nas eleições passadas. Diante das dificuldades de emplacar como candidato a senador, teve o nome cogitado para vice-governador. Sim, do PT. Finalmente, o casamento, na origem, com Tetila & Cia., apadrinhado por Delcídio do Amaral.
É cedo para dizer no que vai dar tudo isso, mas é bem possível que a reestruturação política e administrativa proposta por Murilo Zauith em Dourados sirva como o embrião para as futuras composições políticas no Mato Grosso do Sul. Detalhe: com a exclusão das duas atuais maiores lideranças políticas do Estado – o governador André Puccinelli, que assiste de camarote o desenrolar do processo eleitoral extemporâneo e seu antecessor, Zeca do PT, que, não sem razão, tem chiado uma barbaridade, pego que foi de calças curtas com o surpreendente acordo de seu partido com os demos douradenses.
E não adianta querer tapar o sol com a peneira. Se Zeca do PT, pantaneiro tinhoso e, talvez pela convivência com Lula da Silva, sem papas na língua faz das tripas coração para se livrar de Delcídio do Amaral no PT, Zauith, com seu jeito bonachão, trata André Puccinelli, ainda, como aliado, mas pensando em como comer seu fígado lá na frente. Se lhe perguntam, agora, como vão as coisas, neste sentido, ele tem o discurso pronto: o prefeito de Dourados precisa estar bem, sempre, com o governador do Estado.
O próprio Delcídio do Amaral é quem começa a desenrolar o novelo da sucessão estadual, “entregando” Zauith. Para o senador corumbaense, o PMDB será seu principal adversário em 2012, mas ele conta com o apoio justamente daquele que foi preterido em seu próprio benefício e de Valdemir Moka no ano passado. “Sem dúvida nenhuma o Murilo vai marchar conosco”. Palavras de Delcídio, hoje, no Correio do Estado. Na mesma matéria ele nega qualquer articulação com o governador André Puccinelli, embora admita a reedição da aliança PT-PMDB, que elegeu Dilma Rousseff.
Tudo bem se André Puccinelli levar a sério essa história de pendurar as chuteiras ao final deste segundo mandato. Lança Nelsinho Trad como seu sucessor e sua vice Simone Tebet ao Senado, ou vice-versa, pergunta onde vai ter comício e vai lá com os netos, pedir votos. Dando Delcídio, com o apoio do prefeito Murilo, Dourados fica bem na foto. Mas e se o trem vira, por exemplo, com vovô André resolvendo dar uma forcinha para seu PMDB, saindo candidato ao senado, como grande puxador de votos, deixando Simone Tebet em sua cadeira com a responsabilidade de passar a faixa a Nelsinho Trad?
