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Há 80 anos, Alemanha invadia a União Soviética

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23/06/2021 – 14h01

Há 80 anos, na maior ação militar da História, tropas nazistas surpreenderam e avançaram para tomar Moscou, mas não contavam com resistência soviética e inverno russo

No auge da Segunda Guerra, o dia 22 de junho de 1941 marcou o início da Operação Barbarossa: os exércitos da Alemanha de Adolf Hitler invadiram a União Soviética, rompendo um pacto firmado com Josef Stálin. Considerada a maior e mais feroz campanha militar da História em termos de mobilização de tropas e baixas sofridas, a operação começou na madrugada de domingo e ganhou as manchetes dos jornais no dia seguinte. Com letras garrafais, o jornal O Globo estampava no alto da sua primeira página na edição final de segunda-feira: “Travada a luta em todas as fronteiras!”. Em destaque, apareciam ainda duas notícias: “Esquadrões enormes das divisões blindadas do Reich estão sendo lançados contra a Rússia” e “Violentíssimos os ataques aéreos; em Berlim, assegura-se que teriam sido destruídos 1.200 aparelhos russos”.

A invasão, que contou com cerca de 3,6 milhões de soldados entre alemães e os seus aliados, representou o rompimento do Pacto Ribbentrop-Molotov (ou tratado de não agressão), estranha aliança firmada por Alemanha e URSS, em 23 de agosto de 1939, que deixara perplexos os comunistas e os governos democráticos do mundo inteiro. O pacto, no entanto, tinha cumprido o seu papel. Stálin conseguiu ganhar tempo adiando o inevitável conflito com a Alemanha, por saber das deficiências militares da União Soviética. Já para Hitler significou poder preparar melhor suas forças e não ter que lutar em várias frentes de batalha. Ao ordenar a invasão da União Soviética, Hitler queria garantir a vitória sobre a Inglaterra, contra a qual lutava naquele momento. Ele acreditava que a Inglaterra só poderia reagir se contasse com a ajuda dos soviéticos ou dos Estados Unidos. Mas diante do relativo isolacionismo dos EUA, Hitler achava que era mais necessário retirar os russos do cenário de guerra.

O objetivo inicial da operação, cujo nome homenageia Frederico Barbarossa, líder germânico do século XII, era uma rápida tomada da parte europeia da União Soviética. Hitler desejava ocupar Moscou em dois, três meses: era a chamada “blitzkrieg” ou guerra-relâmpago, com grande concentração de homens e recursos, em um só ponto, deslocamento rápido e apoio da força aérea. Depois dos primeiros êxitos – mais de 600 quilômetros conquistados em três semanas – Hitler exigiu do comando militar a tomada de Moscou, encerrando o ataque à URSS em outubro, mas não contava com a forte resistência soviética e a chegada, antes do tempo, do inverno, o mais rigoroso em décadas. O General Inverno atingia em cheio, pela segunda vez na História, um grande exército invasor: a primeira foi em 1812, minando as tropas da França de Napoleão. Equipados com seus uniformes leves, inadequados para as baixíssimas temperaturas, a Wehrmacht (as forças armadas de Hitler) não resistiu. Moscou não foi tomada e os alemães, que haviam chegado a apenas 80 quilômetros da capital, foram empurrados ao ponto de partida do seu ataque.

A Batalha de Leningrado, atual São Petersburgo, é outro momento importante para explicar a derrota de Hitler na guerra contra Stálin. O cerco alemão durou mais de dois anos, de 8 de setembro de 1941 a 27 de janeiro de 1944, submetendo os moradores a intensos bombardeios aéreos, fome e epidemias. Os moradores não desistiram na linha de defesa: em janeiro de 1943, romperam o cerco pela primeira vez, derrotando o inimigo um ano depois. A Batalha de Stalingrado é também relevante para explicar a derrocada alemã no território soviético. Hitler decidiu atacar a cidade pelo valor simbólico e propagandístico (era a terra natal de Stálin), além de estratégico. Iniciado em julho de 1942, foi um dos maiores conflitos da Segunda Guerra devido ao grande número de mortos – cerca de 3 milhões – e prejuízos materiais.

O general alemão Friedrich Paulus, comandando 250 mil soldados, alcançou o Volga, ao Norte de Stalingrado, em agosto de 1942. A batalha foi travada em cada quarteirão, sendo disputada por vezes em luta corpo a corpo. A defesa soviética foi intensa, e o pesado contra-ataque para libertar Stalingrado teve início em novembro, reunindo mais de um milhão de soldados. As tropas soviéticas romperam as linhas inimigas ainda naquele mês e fizeram uma manobra de envolvimento, repelindo com sucesso a tentativa de ataque alemã, ao Sul, no mês de dezembro. Sem combustível, comida e munição, no Natal de 1942, o exército de Paulus estava condenado. No dia 31 de janeiro de 1943, o agora marechal de campo Friedrich Paulus comunicou aos soviéticos sua capitulação, efetivada em 2 de fevereiro.

Se a Batalha de Moscou significou o fracasso da guerra-relâmpago e a destruição do mito da invencibilidade do exército alemão, a Batalha de Stalingrado marcará a grande virada na guerra. No final da batalha, o moral das tropas alemães estava destruído e muitos soldados desertaram apesar do risco de serem mortos. E as tropas de Stálin iniciaram contra-ataque: o rolo compressor do Exército Vermelho não se deteve nas fronteiras russas e só parou quando um soldado soviético sob as ordens do general Ivan Koniev, em 2 de maio de 1945, hasteou a bandeira da foice e do martelo no mastro principal do Reichstag (o prédio do parlamento federal), em Berlim, e a Alemanha foi completamente derrotada na Segunda Guerra.(O Globo)

Há 80 anos, Alemanha invadia a União Soviética

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