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quarta-feira, dezembro 1, 2021

‘8 presidentes 1 juramento – A história de um tempo presente’: a política brasileira sem embate passional

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Diante do embate passional que tem imperado na política brasileira nos últimos anos, a atriz e diretora Carla Camurati evita assumir um posicionamento na apresentação dos principais acontecimentos que atravessaram a vida pública entre o movimento das Diretas Já e a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. Camurati se esforça para não se colocar de modo evidente numa história na qual exerceu função relevante — basta lembrar que assinou “Carlota Joaquina, princesa do Brazil”, marco da retomada do cinema brasileiro, em 1995, radicalmente afetado pela desestabilização promovida pelo governo Collor. A opção por uma postura afastada levou Camurati a priorizar uma estrutura formada pela junção de imagens do noticiário televisivo, manchetes de jornais e revistas e letreiros destacando dados determinantes (como os resultados das eleições presidenciais) em detrimento de procedimentos do documentário tradicional (como a realização de entrevistas).

A partir da morte repentina de Tancredo Neves, Camurati fornece um panorama dos governos de José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Entre os muitos fatos realçados estão a elaboração da Constituição de 1988, a inflação desenfreada, o confisco da poupança pela então ministra Zélia Cardoso de Mello, os assassinatos de PC Farias e Suzana Marcolino, o impeachment de Collor, o Plano Real, a aprovação do projeto de reeleição presidencial, esquemas de corrupção, a Lava-Jato, o impeachment de Dilma, a prisão de Lula, os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, o projeto de governo de Bolsonaro na contramão de pautas da atualidade.

Ao não interferir, de maneira direta, nas informações, a diretora procura deixar espaço para o espectador tirar suas conclusões. A reunião de notícias muito conhecidas da história do país, porém, não obrigatoriamente estimula o público a traçar articulações. Nesse caso, a experiência proporcionada por “8 presidentes 1 juramento” fica reduzida ao teor informativo de uma revisão, ainda que a cineasta ressalte, por meio de uma questão (“Que história vamos construir no tempo presente?”), a importância de compreender o passado para iluminar o aqui/agora, considerando a dificuldade de refletir a respeito de um momento em relação ao qual não há distanciamento histórico. Além disso, o exercício de imparcialidade não tem como ser concretizado. Apesar do protagonismo de diversos fatos na trajetória do Brasil, a realização do filme implica na escolha de imagens e no modo como serão dispostas na tela (montagem a cargo de Joana Ventura).

Diretora que, ao longo do tempo, valorizou a comédia, articulando, ocasionalmente, o gênero com a história do país, Carla Camurati assume, aqui, conduta ponderada ao se debruçar sobre a montanha-russa da política brasileira.(Daniel Schenker/O Globo)

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