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sexta-feira, janeiro 21, 2022

Academia de Letras, para quê?

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Vou começar este texto admitindo que posso estar totalmente equivocado, nem por isso me furto a esse questionamento, quem sabe um acadêmico experiente possa me responder.  

Em 1.991 eu não tinha nenhum livro publicado quando um dos pretensos fundadores me procurou para que eu fosse um dos membros da virtual academia. Você só precisa publicar um livro, ele disse, fazendo referência às minhas publicações no jornal e minha dedicação, ou empolgação, com as letras. Hoje, o saudoso Nicanor Coelho é homenageado e tem até prédio público com seu nome. Nicanor é, sim, o grande responsável pela existência da Academia Douradense de Letras. Eu não publiquei o meu livro naquela época. 

Em 1.993 fiz minha primeira publicação em livros, uma modesta participação de dez páginas de poesia numa publicação coletiva de novos escritores douradenses e, só em 2.017 lancei para o público “JOSAFÁ”, um conto urbano de 120 páginas. Nessa época, a ADL já fizera seu vigésimo sexto aniversário e lá estavam seus imortais em seus fardões e eu me perguntando: De onde vem mesmo a imortalidade de um acadêmico? 

Não gostaria de fazer nenhuma comparação maliciosa, mas não vejo como abordar o assunto sem tal comparação, ainda que maliciosa, se me permite a redundância, mas escritores que se candidatam à imortalidade se parecem um pouco com jornalistas que juram imparcialidade no trabalho jornalístico. Há jornalista pelos quais eu tenho profundo respeito, pois não se dobram ao brilho do vil metal corruptível promovendo falsas verdades ou escondendo as mentiras entre falsos elogios bajuladores. Imortais não são diferentes. Assim como no jornalismo, na Academia existem valiosos imortais que militam pela cultura com espírito comunista, se dedicando a que a cultura esteja disponível ao cidadão comum. Todavia, também como no jornalismo, há uma leva de seres humanos sensíveis a honrarias, muitos deles se encantam com o título e dele fazem um belo trampolim para um belo salto ornamental na piscina das vaidades.  

Se a Academia deve ser o lugar onde se reúnem intelectuais, poderíamos dizer, os melhores entre os escritores, já que uma das exigências é que tenha pelo menos uma publicação de reconhecido mérito, por que há tanta vaidade e tão pouca produção cultural, de mérito, entre os acadêmicos? Me perdoem a falta de sensibilidade, mas, para que serve a Academia mesmo? 

Vou começar este texto admitindo que posso estar totalmente equivocado, nem por isso me furto a esse questionamento, quem sabe um acadêmico experiente possa me responder.  

Em 1.991 eu não tinha nenhum livro publicado quando um dos pretensos fundadores me procurou para que eu fosse um dos membros da virtual academia. Você só precisa publicar um livro, ele disse, fazendo referência às minhas publicações no jornal e minha dedicação, ou empolgação, com as letras. Hoje, o saudoso Nicanor Coelho é homenageado e tem até prédio público com seu nome. Nicanor é, sim, o grande responsável pela existência da Academia Douradense de Letras. Eu não publiquei o meu livro naquela época. 

Em 1.993 fiz minha primeira publicação em livros, uma modesta participação de dez páginas de poesia numa publicação coletiva de novos escritores douradenses e, só em 2.017 lancei para o público “JOSAFÁ”, um conto urbano de 120 páginas. Nessa época, a ADL já fizera seu vigésimo sexto aniversário e lá estavam seus imortais em seus fardões e eu me perguntando: De onde vem mesmo a imortalidade de um acadêmico? 

Não gostaria de fazer nenhuma comparação maliciosa, mas não vejo como abordar o assunto sem tal comparação, ainda que maliciosa, se me permite a redundância, mas escritores que se candidatam à imortalidade se parecem um pouco com jornalistas que juram imparcialidade no trabalho jornalístico. Há jornalista pelos quais eu tenho profundo respeito, pois não se dobram ao brilho do vil metal corruptível promovendo falsas verdades ou escondendo as mentiras entre falsos elogios bajuladores. Imortais não são diferentes. Assim como no jornalismo, na Academia existem valiosos imortais que militam pela cultura com espírito comunista, se dedicando a que a cultura esteja disponível ao cidadão comum. Todavia, também como no jornalismo, há uma leva de seres humanos sensíveis a honrarias, muitos deles se encantam com o título e dele fazem um belo trampolim para um belo salto ornamental na piscina das vaidades.  

Se a Academia deve ser o lugar onde se reúnem intelectuais, poderíamos dizer, os melhores entre os escritores, já que uma das exigências é que tenha pelo menos uma publicação de reconhecido mérito, por que há tanta vaidade e tão pouca produção cultural, de mérito, entre os acadêmicos? Me perdoem a falta de sensibilidade, mas, para que serve a Academia mesmo? 

Elairton Gehlen, escritor, na Folha de Dourados

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