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segunda-feira, agosto 15, 2022

Prometendo municipalizar mandato de senador, Tiago Botelho diz que Tereza Cristina “é uma mentira como Bolsonaro”

Professor universitário, o petista Tiago Botelho tenta transformar em realidade o sonho do senador da Grande Dourados

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Um candidato que entende de interior, que promete municipalizar o mandato de senador, mas que nem por isso, óbvio, vai deixar de ter olhos para a capital. Assim se apresenta o professor universitário Tiago Botelho, candidato petista ao Senado. Aliás, ao embutir sua apresentação nas primeiras respostas, ele dispensa o trabalho do editor na abertura desta entrevista ao ContrapontoMS.

Tiago Botelho, que teve a candidatura ao Senado referendada no último encontro petista, fala de temas caros aos ideais programáticos de seu partido e de Lula, com quem esteve recentemente durante um jantar em São Paulo. Não poupa o governo Bolsonaro, criticando questões polêmicas como o famigerado “orçamento secreto”, que ele considera uma aberração jurídica.

Especificamente sobre a campanha eleitoral, o petista dá o tom de como tratará seus adversários, entrando “de sola” na bolsonarista Tereza Cristina: “Como é ser ministra da agricultura e do abastecimento que desabasteceu a mesa dos brasileiros?”. Citando números da cesta básica, combustíveis e outros itens inflacionários no atual governo, ele diz que “fica fácil fazer oposição a quem deixou 33 milhões de brasileiros no mapa da fome”. Por isso, não teme o alardeado poderio da ex-ministra – “a melhor opositora de qualquer político” –, guardando também um pouco de munição para o ex-juíz Odilon de Oliveira, dizendo que ele e os demais adversários “mendigarão votos de Bolsonaro”.

Depois de várias tentativas, com candidaturas até robustas como as dos ex-prefeitos João Totó Câmara (1986) e Murilo Zauith (2010), outra com o seu companheiro petista Egon Krakhecke (2006), Dourados pode, enfim, transformar em realidade o sonho de ter seu Senador?

Ousaria dizer que não apenas Dourados, mas todo o interior de Mato Grosso do Sul. Hoje todos os senadores são de Campo Grande. Eles falam do interior, mas não sabem o que é o interior. Do interior eu entendo, pois nasci em Ivinhema, cresci em Naviraí e moro em Dourados. É obvio que vamos lutar pela Capital, mas valorizar o interior como ele merece, pois hoje o que se vê são políticos que de quatro em quatro anos chegam no interior, muitos de avião, algo questionável, ganham o voto do povo e, depois, nunca mais voltam, quando muito, aparecem na Exposição para tirar foto e postar nas redes sociais. Tenho andado muito o MS e sempre que pergunto a última vez que um senador esteve no município a resposta é sempre a mesma: na última eleição.

Nós vamos municipalizar o mandato de senador. Não esperarei o prefeito ir a Brasília, após eleito vou rodar todos os municípios, dialogar com os prefeitos e vereadores e quero um dossiê de cada município com os problemas e as potencialidades. O gabinete estará de portas abertas para prefeito de direita e esquerda. Sou do PT, mas para além, estarei senador pelo Mato Grosso do Sul. Chega de polarização, precisamos melhorar a vida do povo. Política é para melhorar a vida.

Depois do trauma da Lava Jato, do “golpe” contra o governo Dilma Rousseff, nesse delicado momento de soerguimento do PT, o professor Tiago Botelho se sente, de verdade, credenciado a uma missão de tamanha envergadura?

Antes de ser pré-candidato ao senado me graduei em Direito pela UEMS e História pela UFGD, fiz mestrado e doutorado em Direito, sou advogado, professor e coordenador do Curso de Direito da UFGD. De lei eu entendo. O papel do senador é apresentar projetos de lei que melhorem as vidas no estado de MS. Meu compromisso é jamais votar contra o povo, os trabalhadores, o SUS, a educação, a juventude, o meio ambiente e as minorias. O MS precisa de um senador que queira ser senador. Há um péssimo hábito de políticos de MS que se elegem em um cargo, abandonam o voto do povo para exercerem outro função. Por exemplo, a Tereza Cristina, se elegeu deputada federal, ignorou o voto do povo, foi ser ministra. Uma pessoa que é eleita pelo povo deve finalizar seu mandato e prestar contas ao povo. Serei senador por oito anos e não renuncio ao mandato que o povo me deu, bem como, não mudo do interior, seguirei morando em Dourados.

Na esteira, ainda, da Lava Jato, poderia se dizer que sua indicação, como petista-raiz, seria uma tardia mea-culpa pela oportunidade perdida em 2002, quando o PT elegeu o “pefelista” Delcídio do Amaral e por toda a “tragédia” que isso causou ao partido?

Nossa indicação ao senado é fruto de um novo momento que vive o PT de MS. Renovar os quadros do partido faz parte do seu amadurecimento. Sou filho de pai e mãe PTista que me ensinaram o quão importante é este partido. O PT como qualquer partido tem defeitos e virtudes. Todavia, um dos seus pontos positivos é que em qualquer cidade de MS que chego, por menor que seja, tem políticas públicas executados por Lula e Dilma. O PT mudou a vida no interior do Brasil. Diferente dos governos de Temer e do Bolsonaro que nada fizeram. Você que me lê, saberia dizer o que o Bolsonaro fez no seu município? Reflita!

Diferente dos demais pré-candidatos ao senado que precisam mendigar o apoio do Bolsonaro, me apresento, com tranquilidade, como o único pré-candidato do presidente Lula.

Qual a estratégia ou qual o discurso para sobrepujar a poderosa ex-ministra bolsonarista Tereza Cristina ou o tão temido – e bom de voto! – ex-juiz Odilon de Oliveira?

A melhor opositora de qualquer político é a Tereza Cristina, pois ela precisa explicar para o sul-mato-grossense como é ser ministra da agricultura e do abastecimento que desabasteceu a mesa dos brasileiros. Como é recolocar o Brasil no mapa da fome.

 O óleo de soja era R$ 3,17 em 2019, está R$ 9,89 em 2022; o saco de arroz era R$ 9,89 em 2019, está R$ 17,49 em 2022; 1k de carne de segunda era R$ 11,90, está R$ 25,99 em 2022.

A culpa da comida cara é do Bolsonaro e da Ministra Tereza Cristina. Portanto, fica fácil fazer oposição a quem deixou 33 milhões de brasileiro no mapa da fome.

O Odilon e os demais pré-candidatos mendigarão os votos do Bolsonaro. Eles possuem o mesmo projeto eleitoral. Vejo de forma patética pré-candidatos brigando pelo apoio do Bolsonaro para saber quem andará na garupa da moto do presidente em motociata. O Brasil cheio de problemas, inclusive frente ao preço da gasolina, e o presidente, ao invés de estar trabalhando para mudar a realidade, está fazendo motocieta em Campo Grande.

Eu não mendigo apoio do Lula, bem como, não preciso andar na garupa da moto. Diferente do Bolsonaro que arma a população, encarece a comida ou distribui diariamente fakenews, nós iremos retomar os projetos: “Minha casa minha vida”, “Fome zero”, o “Luz para todos” e o “Bolsa família”. O povo quer projeto, proposta e resultado.

A repercussão nas redes sociais de seu jantar com Lula e Alckmin em São Paulo deu o tom do nível da campanha, com bolsonaristas batendo doido, inclusive, abaixo da linha da cintura. Como será a reação do PT a toda essa onda raivosa?

No jantar com o presidente Lula ele me deixou claro que não devemos cair nas armadilhas bolsonaristas. Como estão desesperados, pois sabem que perderão no primeiro turno, utilizarão de mentiras e ódio. Disse que não quer apenas governar, mas cuidar do Brasil, mas para isto precisa de senadores e deputados que o ajude no Congresso.

Ele está muito animado com a nossa pré-candidatura ao senado e entende que, com a pulverização dos demais pré-candidatos ao senado de direita e extrema direita, nossa chance é real. Mato Grosso do Sul poderá ter um filho do interior no Senado Federal ajudando o presidente Lula a realizar as mudanças que o país precisa. Imediatamente precisamos melhorar a economia e diminuir o desemprego e a fome.

Aliás, Lula se banqueteando com empresários não seria um ultraje ao eleitor, desde que visto pela ótica do discurso petista do direito da população a três refeições diárias e, do trabalhador, até a uma cervejinha no final do expediente?

De forma alguma, quem tirou o Brasil do mapa da fome foi o Lula e quem colocou foi o Bolsonaro e a Tereza Cristina. Reunir com empresários é a forma de ampliar seus apoiadores e mostrar para a classe empresarial que não adianta poucos com muito e muitos com pouco, pois o resultado é catastrófico. É possível administrar o Brasil incluindo o pobre no orçamento. Lula sabe como fazer e eu estarei o ajudando no Senado Federal.

Existe hoje um mantra bolsonarista, o de que Lula não tem coragem de encarar as ruas. A aguerrida militância petista desaprendeu com o tempo ou se deixou levar pelo pragmatismo e pelo deleite dos tempos em que esteve no poder?

A vida do bolsonarista é falar mentira, negar a ciência, resumir tudo ao comunismo e tentar destruir as instituições.  Lula é um político que se fez nas ruas, no povo, nos bairros. Lula andará este país e ganharemos no primeiro turno. Esta eleição é diferente da de 2018, a política chegou na mesa do brasileiro, a conta de energia está cara, a gasolina está cara e a comida está cara. A esperança do povo é o retorno do Lula.

Nesse sentido, professor, admite que o PT pode estar sendo vítima de um dos mais antigos ditos populares, aquele que diz que quando a gente quiser conhecer uma pessoa é só dar a ela o poder”?

As pessoas cobram muita autocritica do PT, esquecendo de pedir dos demais partidos. Todavia, não tenho problema algum de apresentar críticas construtivas para as nossas gestões PTistas. Alguns temas precisamos avançar, entre eles o fim do conflito no campo. O Mato Grosso do Sul não pode seguir sendo um dos estados mais violentos no campo. Para tal, precisamos concluir as demarcações de terras indígenas, titular as terras quilombolas e fazer reforma agrária. Tem espaço para todos no MS. O que não pode ter espaço é para crianças indígenas desnutridas, quilombolas em situações de pobreza e pouco investimento na agricultura familiar. O MS precisa viver um outro momento no campo.

O PT fez o maior programa habitacional da América Latina, melhoramos a economia do país, interiorizamos o ensino superior, levamos luz para os mais pobres, construímos o bolsa família. Portanto, no poder fizemos muito, mas podemos e faremos muito mais.

Sua candidatura e a de Gleice Jane são um sinal de renovação no PT. O partido se ressente de lideranças como a do ex-prefeito Tetila e a do ex-deputado João Grandão, já aposentados?

O PT não tem um dono. Ele se faz por meio de trabalhadores e trabalhadoras que acreditam que a política é de muitas pessoas e para muitas pessoas. Gleice Jane e eu representamos o interior, a educação e a juventude. Não tenho dúvidas que nossos projetos representam a renovação, sem desconsiderar todos os companheiros que ajudaram a construir o partido.

No estado, o ex-governador Zeca do PT está tentando retornar por onde começou – a Assembleia Legislativa. Não está na hora também de uma renovação nos quadros estaduais?

Eu não defendo a renovação pela renovação. Na última eleição muitos políticos foram eleitos simplesmente pregando a renovação, mas não somaram em nada, votam contra os trabalhadores e, inclusive, mesmo sendo políticos negam a política e as instituições. Minha defesa é a renovação aliada às experiências de quadros com mais experiências. Defendo a renovação com qualidade, com propostas e respeitando a democracia, a constituição e os interesses da sociedade. 

Depois dos governos Lula e Dilma e do governo Zeca do PT no MS, quais as bandeiras petistas que podem voltar a ser desfraldadas no palanque em 2022?

Esta é uma eleição que a fakenews bolsonarista terá dificuldade. As pessoas estão desempregadas, com fome e vendo um país pobre. Teremos que reconstruir o Brasil. Falei para o Lula que de imediato teremos que retomar o fome zero. O Brasil não pode seguir com 33 milhões de pessoas com fome. Após, precisamos defender o meio ambiente, o SUS, a educação, as políticas públicas e a institucionalidade no país e melhorar a economia. Lula pediu ao MS um senador e eu me coloquei à disposição para o ajudar no Congresso Nacional.

Aliás, uma dessas bandeiras – a da reforma agrária – foi tomada por Bolsonaro, depois da entrega de títulos definitivos de posse na Fazenda Itamaraty. Acha que foi uma apropriação indébita?

Tereza Cristina é uma mentira como o Bolsonaro. Quero ter a oportunidade de perguntar para ela, quantos assentamentos o Bolsonaro fez no MS, pois ir à Itamaraty, às vésperas da eleição, embrulhar o presente já dado pelo Lula é fácil. O governo Bolsonaro e a ministra Tereza são contra a reforma agrária. Nada fizeram no MS.

Emendas parlamentares, orçamento secreto. Como fugir a essa tentação? O candidato Tiago Botelho teria alguma proposta para tentar mudar este quadro?

Entendo que a emenda parlamentar deve ser discutida com a sociedade e as bases. Vejo muitos políticos usando tal recurso para se propagar politicamente, beneficiando só os municípios ou instituições aliadas aos seus projetos. Precisamos de transparência e muito diálogo com o povo. A quem interessa o sigilo? O governo Bolsonaro implementou uma prática contrária ao que determina a constituição federal. A publicidade é o princípio basilar da administração pública. Orçamento secreto é uma aberração jurídica.

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