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segunda-feira, agosto 15, 2022

O teatro das ilusões de Azambuja, a vingança maligna de Puccinelli, a busca pelos vices etc

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“Com a saída de Sérgio de Paula, Azambuja assume o PSDB em Mato Grosso do Sul”. Ao leitor não tão antenado nas coisas da política, principalmente ao que acontece nos porões do Parque dos Poderes, poderia passar batido o título de uma matéria publicada nesta segunda-feira no site do JD1, de Campo Grande. E o subtítulo: “Isso é um sonho de várias pessoas, diz De Paula sobre vaga no TCE”. Aliás, tão desprezível, o fato, que nem mereceria uma manchete, não fosse o que está por trás do que poderia parecer um simples remanejamento, mas chamando a atenção dos mais atentos pela simbiose que envolve os dois personagens. Como se Azambuja precisasse “assumir” o PSDB, como se Sérgio de Paula mandasse alguma coisa, como se não vivesse para fazer o que Azambuja manda; como se, enfim, o governador já não fosse plenipotenciário não só do estado, como do PSDB e de todos os partidos aliados; de cerca de 70 dos 79 prefeitos (os que dizem apoiar a candidatura Riedel), de uma multidão de vereadores chegados a um “mensalinho” e, mais, da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Justiça e, atentem para o detalhe do subtítulo, do Tribunal de Contas do Estado. Até o garçom que serve cafezinho nos gabinetes da Assembleia já sabe da nebulosa negociação envolvendo a ida do preposto de Azambuja para o Tribunal de Contas e dos 12 milhões de motivos que o Conselheiro Jerson Domingos teria para abrir mão da confortável e rentável cadeira na tão controvertida Corte encarregada de, em tese, zelar pelo bom uso do dinheiro público.

Culpa do Murilo – Na verdade, toda essa reengenharia da “saída” de Sérgio de Paula da presidência do PSDB para, segundo ele, se dedicar à família e à campanha de Riedel – “meu comprometimento agora”, como enfatizou – é consequência da recusa do vice-governador Murilo Zauith em assumir o governo para que Azambuja pudesse ficar full time para essa difícil missão apenas no período em que durasse a campanha. Rompido com o titular do cargo, a situação do vice hoje é das mais confortáveis, pois ele sabe que pode até vir a assumir o governo a qualquer momento (por conta dos desdobramentos das ações judiciais contra Azambuja), mas de forma plena, governador de fato e de direito, não apenas mais um fantoche nas mãos de seu agora arquirrival.

Poste – A oficialização de Azambuja agora como comandante em chefe tucano tem também outra razão de ser: em caso de um milagre, ou seja, a eleição de Eduardo Riedel, que não pairem dúvidas quanto à sua competência não apenas de asfaltar ruas (como as do centro de Dourados) ou rodovias por todos os quadrantes do estado, de dar prosseguimento a obras inacabadas, como hospitais, escolas, e até o Aquário do Pantanal, mas, também, de fincar postes.

Agora (não) vai! – Outra possibilidade: Azambuja deve ter se rendido ao velho dito popular “quem quer faz, quem não quer manda”. Deve estar cansado de tanta incompetência. Tanto dinheiro jogado fora, pra nada. Um governo dos mais bem avaliados da história, e um candidato que não decola. Salto alto, arrogância, soberba, tudo que não combina com o jeito simples, prático e objetivo de ser de Azambuja, que com uma alegre musiquinha de campanha –  “Agora vai” – de um jaguané histórico no então todo poderoso do Delcídio do Amaral, que até hoje não reencontrou o rumo de casa.

Tiro de misericórdia – O último desserviço de Sérgio de Paula como presidente do PSDB pode ter sido a desastrada estratégia de tentar acabar com a candidatura do ex-prefeito da capital, apontando o canhão governamental para as partes baixas de Marquinhos Trad. Mas pelo jeito erraram o alvo, porque pela reação, se cair, Trad deve cair atirando, aí o tiro de canhão tendo o efeito de um tiro de garrucha, e Marquinhos nem precisando de um “azulzinho” para “f…” Azambuja, Riedel e toda a caterva bajuladora do entorno da candidatura oficial. Como se vê, além de “um tiro no peito de Azambuja, outro no coração de Riedel”, como aqui escrito neste final de semana, um tiro de misericórdia em todo o projeto de perpetuação no poder.

Soberba – Na coletiva de imprensa semana passada em Dourados o candidato Eduardo Riedel tentou livrar a cara de seus estrategistas, quando questionado sobre a repetição de resultados eleitorais negativos do governo em Dourados, em que pese a boa avaliação administrativa. Talvez porque seja impossível a troca desses estrategistas, gente certamente muito bem paga pelo governo, como os que fizeram questão de exibir o candidato nas redes sociais a bordo de um jatinho executivo que levava sua comitiva para a convenção de Bolsonaro no Rio de Janeiro. Como se o eleitor não soubesse de onde sai o dinheiro para esse tipo de esbanjamento.

Sangue no olho – Mais uma passagem por Dourados, mais uma rodada de conversas na Associação Comercial e Industrial e não foi, ainda, dessa vez que André Puccinelli saiu da terra de seu Marcelino com o tão sonhado nome de uma mulher, douradense ou da região, para sua companheira de chapa. O máximo que conseguiu foi deixar a nítida impressão, entre os interlocutores, do quão magoado continua pelos dias que passou no xilindró. “Uma injustiça que fizeram comigo”, tem repetido, mandando avisar que aqueles que armaram essa cama de gato pra ele não perdem por esperar.

Alô você – Enquanto André Puccinelli não encontra essa tão desejada mulher, o candidato governista Eduardo Riedel parece propenso a aceitar o nome do radialista Marçal Filho como candidato a vice. Isto, balizado pelas pesquisas qualitativas, embora na primeira vez em que se dispôs a cumprir essa missão, como companheiro de chapa de Marisa Serrano, Marçal foi um peso morto. O nome do deputado não seria o dos sonhos de Riedel, mas é o que tem para o momento, partindo-se da premissa de que o vice teria que ser de Dourados, depois da recusa ao convite de Geraldo Resende e da sondagem ao nome de Lia Nogueira, que também não quer nem ouvir falar disso.

Esperando Godot – Enquanto isso, com o nome já homologado em convenção como candidata a governadora, com seu senador, Luiz Henrique Mandetta, também já definido, a deputada Rose Modesto continua esperando pela boa vontade de Murilo Zauith para acabar com essa angústia do candidato a vice. Nem mesmo duas noites como hóspede semana passada na residência de Zauith foram suficientes para convencer o vice-governador a cantar música no Fantástico.

Xerife – Em meio ao turbilhão provocado pelas denúncias de assédio sexual o ex-prefeito da capital Marquinhos Trad parece decidido a transformar seu pré-candidato a senador em companheiro de chapa. Talvez entendendo que Odilon de Oliveira, além de bom de votos, poderá agregar valor à sua chapa pelo respeito que impõe como o ex-juiz federal que sabe como ninguém lidar com a bandidagem da qual agora ele é vítima.  

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