O senador Marcos do Val (Podemos) enviou um áudio detalhando seu plano de “blindar” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que ele não fosse preso por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), quando chegasse ao Brasil.
O áudio foi enviado para um grupo de WhatsApp e revelado pelo colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles. Do Val fala por cerca de cinco minutos e inicia marcando a data de 4 de abril, terça-feira, momento em que o áudio foi enviado. Ele usa o tempo para “esclarecer” o que vinha fazendo aos aliados.
“Em fevereiro, eu fiz um contato com o ex-presidente, o nosso presidente Bolsonaro, dizendo que eu precisava blindá-lo por conta dos desejos do ministro do STF em prendê-lo, assim que ele voltasse dos Estados Unidos. E eu disse que eu usaria aquela reunião que nós tivemos, aquela reunião que não configura crime nenhum, não tem nada que configurasse crime ali. Ele deu ‘ok’ e assim eu segui fazendo a estratégia de manter a imprensa colada. E eu toda hora falando uma coisa diferente da outra, para que a imprensa continuasse colada comigo, porque ela tenta sempre criminalizar ou desmoralizar as pessoas, então eu aproveitei disso para então seguir com a estratégia e estar sempre no comando”, disse Do Val.
Ao que tudo indica, a reunião citada por ele refere-se à ocorrida no início do mês de fevereiro com Alexandre de Moraes. Na ocasião, Do Val disse ao ministro ter recebido um pedido de Bolsonaro para gravar uma conversa com Moraes.
Em outro momento, uma conversa do senador com apoiadores bolsonaristas foi flagrada também pelo Metrópoles. Do Val dizia: “Tinha falado: ‘Bolsonaro, vou usar aquela reunião para fazer uma ação para te blindar, porque ele (Alexandre de Moraes) quer te prender’. Então, como ele é o relator do ato antidemocrático, quando eu coloquei ele para dentro do processo, ele não pode continuar a ser o relator. Tem que ser outro.”
Ainda no áudio enviado nesta terça, Do Val explicou que passou dois dias mais dedicado ao plano. “Eu consegui fazer com que todo mundo pudesse ficar ainda mais motivado na assinatura da CPMI [de 8 de janeiro]. Ela estava quase morrendo, todo mundo meio que deixando de lado. Quando eu comecei a soltar algumas informações, a gente conseguiu um movimento rápido e muitas pessoas partiram para fazer a subscrição da CPMI”, afirmou.
“Eu deixei claro que o documento que está na ABIN, era um documento bombástico, que até então só eu tive acesso. E realmente é, esse documento quando se tornar público, ele derruba o presidente, derruba o presidente do GSI. Eu não poderia falar nada com coerência, de começo, meio e fim, porque como o documento é sigiloso, eu podia responder sobre isso. Então toda hora eu dava uma informação desencontrada, mas era proposital”, disse.
Do Val falou ainda que uma prova de sua lealdade a Bolsonaro foi a falta de posicionamento dele e de seus filhos enquanto ele dava declarações à imprensa. “Muita gente não percebeu, mas em nenhum momento vocês viram os ‘Bolsonaros’, tanto o pai, quanto os filhos, entrarem em conflito comigo. Só isso já dá pra perceber que eles tinham conhecimento do que eu ia fazer”, afirmou.
O senador finalizou dizendo que o ex-presidente “abriu um sorrisão” para ele em sua chegada ao Brasil e o agradeceu. “Eu também fiz convite para outros senadores estarem comigo no dia que eu chamei a imprensa, que eu disse que o presidente tinha me coagido a participar de um golpe de Estado, porque eu sabia que a imprensa ia se lambuzar com isso e seria algo formiga no açúcar. A missão foi super bem sucedida e é isso”, completou.
Redação Terra
