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domingo, maio 10, 2026

A ascensão de Gleice Jane, a queda de Botelho e os sonhos de Barbosinha e Zé Teixeira com a sucessão Alan Guedes

Sucessão municipal foi o tema predominante durante o dia, em Campo Grande, após a posse da deputada Gleice Jane

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A posse, nesta terça-feira, da deputada petista Gleice Jane serviu para esquentar, no nível do Parque dos Poderes – Assembleia Legislativa e Governadoria – o tema da sucessão do prefeito Alan Guedes. Uma das promessas do PT, enquanto suplente de vereadora e de deputado, Gleice estava como segunda ou terceira opção para a disputa local majoritária de 2024, já que a bola da vez parecia ser o professor Tiago Botelho, a nova estrela petista estadual depois da exposição como candidato ao senado “amigo do Lula”, nas eleições passadas, sem contar o sempre concorrente vereador Elias Ishy. Mas, empossada com pompa e circunstância, numa barulhenta sessão prestigiada pela nata da militância petista estadual, embora debilitada pela Guillain Barré (uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso), Gleice passa a ser o alvo dos holofotes, tudo, claro, a depender de sua atuação na vaga que era do companheiro Amarildo Cruz.

Na cruz

A ida de Tiago Botelho para o fim da fila petista para a sucessão local não se deve, a princípio, à ascensão de Gleice ao proscênio da política estadual. O jovem e falante professor da UFGD pode ter caído em desgraça por conta da leitura equivocada de uma postagem a respeito de suas convicções cristãs a propósito das celebrações da Páscoa, que viralizou nas redes sociais. Tanto que durante a cerimônia de posse da primeira deputada estadual petista Botelho passou o tempo todo tendo que se explicar à companheirada que lotou as galerias e o saguão da Assembleia Legislativa.

Repensando

A posse de Gleice Jane também não altera em nada os projetos da outra deputada douradense, a tucaninha Lia Nogueira, de disputar a sucessão de Alan Guedes. Pré-candidata que teria o apoio incondicional do ex-governador Reinaldo Azambuja, Lia se diz pronta para mais esse desafio. “Como vereadora a preocupação maior era trabalhar para tirar Dourados desta draga”, diz, numa alfinetada à administração do arquirrival Alan Guedes. Mas, usando seu bordão preferido, dizendo que agora, como deputada estadual “o modelo é outro’, ou seja, deixando a entender que não se furtaria a participar de um amplo entendimento, desde que o nome de consenso se comprometesse em assumir as bandeiras que hoje ela defende como pré-candidata a prefeita.

Seu Zé

Durante a posse de Gleice Jane o deputado Zé Teixeira deixou seu assento e foi até o da colega Lia Nogueira, para um teretetê de pé-de-orelha. Um profissional que jura entender tudo de leitura labial garante que o decano do Palácio Guaicurus falou para a novata: “agora vamos ter que reconversar tudo, essa moça aí (Gleice Jane) pode complicar nossos planos”. É que “seu Zé” também anda conversando uma barbaridade nos bastidores, para transformar em realidade seu maior sonho – o de encerrar a carreira como prefeito de Dourados. E, como o tempo urge, tem que ser agora, em 2024.

A ascensão de Gleice Jane, a queda de Botelho e os sonhos de Barbosinha e Zé Teixeira com a sucessão Alan Guedes

Vice-governador Barbosinha e o deputado Zé Teixeira (foto: arquivo)

Tetila

Outro nome também lembrado para a sucessão do prefeito Alan Guedes, ainda na posse de Gleice Jane, foi o do ex-prefeito Laerte Tetila. Não apenas por petistas saudosistas. Até um tucano de alto coturno presente ao plenário ponderou, depois de fazer loas aos oito anos da administração Tetila, que “apesar da idade”, seria um nome interessante nesse contexto de crise político-administrativa da terra de seu Marcelino. Isto depois que, incógnito entre a militância petista, o sempre discreto professor Tetila foi chamado para assistir a cerimônia no plenário onde um dia esteve como deputado.

Remember Murilo

Não à toa o nome de Tetila foi lembrado como possível candidato de consenso para disputar a sucessão de Alan Guedes. É que com o presidente Lula da Silva precisando do PSDB para reforçar sua base no Congresso Nacional, poderiam surgir alianças estaduais tucano-petistas. Não muito diferente do que já ocorreu aqui mesmo em Dourados, quando à época demo Murilo Zauith teve a petista Dinaci Ranzi como vice-prefeita em seu mandato-tampão. Agora, seria a vez de se inverterem as posições.

Sem bic

Do plenário da Assembleia para a governadoria. Acostumado a cargos executivos ou com titularidade pelo escrutínio popular, de prefeito de Angélica à Assembleia Legislativa, passando pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública e presidência da Sanesul, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, parece um tanto inquieto com sua função de apenas representar o governador Eduardo Riedel aqui e acolá, como fez na posse de Gleice Jane. Não fala, mas dá a impressão de que quer, também, se enfronhar entre os que trabalham para suceder Alan Guedes. Pelo jeito já está cansado de contar quatis e capivaras pela janela de sua sala no térreo da governadoria, que herdou de Sérgio de Paula, este, sim, também sem a caneta na mão, mas mandando como ninguém, no governo Azambuja.

Goiaba  

Aguardada para os próximos dias, a nomeação no gabinete do deputado Neno Razuk, de uma figura que também sempre teve muita influência na sucessão municipal: a da ex-toda-poderosa assessora de Murilo Zauith, Andreia Vieira. Vai precisar pôr em prática na nova função tudo o que aprendeu com o ex-vice-governador, já que como integrante do “gabinete de crise” do prefeito Alan Guedes terá que conciliar os interesses reeleitorais do alcaide com os da família Razuk, que já estaria comprometida com a pré-candidatura a prefeito do deputado Zé Teixeira.

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