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sábado, maio 18, 2024

Muito mais do que um bom prefeito, Dourados precisa eleger uma nova liderança política

Alan Guedes pode consolidar-se como nova liderança política, mas só se for reeleito, Barbosinha corre por fora

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Da dificuldade que tive para escolher as fotos que ilustram este post veio o que pode ser uma resposta ao questionamento que mais tem intrigado os douradense nos últimos tempos, sobre a sina da cidade com seus administradores. Para manter o critério de imparcialidade, com base na concretude das urnas nos últimos pleitos e respeitando a hierarquia, o prefeito Alan Guedes no topo, aqui abaixo o que poderia ter sido a solução que Dourados vem buscando há tanto tempo, respectivamente os deputados Geraldo Resende e Renato Câmara, que perderam, em 2016 para a então vereadora Délia Razuk e o hoje vice-governador Barbosinha, apontado como o grande favorito pelas pesquisas de 2020, mas surpreendido na reta final por Guedes.   

Para esse tipo de avaliação não tem como não retroceder na história. Começando por 1982, quando José Elias Moreira só não se elegeu como o primeiro governador do novo estado porque os eleitores de Dourados não corresponderam, nas urnas, à sua histórica administração. E ali, naquela eleição municipal que coincidiu com a de governador, o eleitor já mandando o seu primeiro recado, ao eleger o outsider Luiz Antônio Álvares Gonçalves, diante de opções como o até ali todo-poderoso ex-prefeito João Totó, o deputado Sultan Rasslan e o engenheiro Braz Melo, que se elegeria na eleição seguinte, para assumir espólio político de João Totó Câmara, passando a polarizar com Zé Elias.

Muito mais do que um bom prefeito, Dourados precisa eleger uma nova liderança política
Deputado federal tucano Geraldo Resende, vice-governador Barbosinha (PSD) e o deputado estadual Renato Câmara (MDB) em confabulações políticas na padaria Pão Dourado (foto: Ricardo Minella)

Como liderança política de referência Braz Melo fez a transição para Murilo Zauith, também como ele, depois, prefeito e vice-governador. Ambos, com potencial para transformar em realidade o grande sonho dos douradenses, de eleger um governador ou um senador da República. Braz perdeu o bonde da história quando não conseguiu eleger o sucessor, Antônio Nogueira, deixando de ter qualquer expectativa quando largou a vice-governança de Wilson Martins para voltar a ser prefeito, não repetindo o sucesso da primeira administração. Murilo, também por impaciência, quando atropelou o processo de sucessão de Reinaldo Azambuja, abrindo caminho para a eleição de Eduardo Riedel.

Braz Melo tinha tudo para ser o sucessor de Wilson Martins não apenas como governador, mas também como grande líder emedebista do estado, papel depois assumido por André Puccinelli. Murilo Zauith, muito mais, porque perdeu primeiro a chance de ser o sucessor natural do mesmo Puccinelli, igualmente abrindo mão da vice-governança para disputar a prefeitura, sendo derrotado por Ari Artuzi; depois, pela conspiração de seus áulicos anunciando a todo instante a queda de Azambuja, com o que assumiria o governo e se candidataria à reeleição.

Nessa condição de “vítima”, desde que tivesse “aquilo roxo”, como dizia o presidente Collor de Melo, Zauith até que teria uma última chance de virar o jogo, indo para a disputa. Na pior das hipóteses se vingaria de Azambuja, por quem foi humilhado, e o Mato Grosso do Sul hoje talvez estivesse sendo governado por Marquinhos Trad, Rose Modesto ou até pelo tal do capitão Contar. Mas, na reafirmação da lenda da cabeça de burro enterrada aos pés da estátua do herói Antônio João, veio a Covid-19 e último líder capitulou de vez.

Nesse entremeio de lideranças, pseudo-lideranças, “coronéis” e até gangsters posando de líder político, destacando-se outro professor, o pacato petista José Laerte Cecílio Tetila. Sem qualquer tipo de pretensão, dividiu o estrelato de sua bela administração com os companheiros Wilson Valentin Biasotto e João Grandão, triunvirato responsável pela maior e mais emblemática obra vinda para Dourados em todos os tempos – a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). Seu sucessor na prefeitura, como ele também vereador e deputado, Ari Valdecir Artuzi, do alto de sua condição de fenômeno eleitoral nem chegou a ter tempo de pensar nisso, só não indo mais longe na política estadual porque teve sua meteórica carreira interrompida pela operação Uragano, morrendo a seguir, pobre como entrou na política, vitimado por um câncer.

Agora a bola está com Alan Guedes. Queiram ou não seus adversários. Desdenhem ou não de sua administração. Ganhando de novo, manda pra casa toda a “velharia” e também a velhacaria da política. Reassumindo a prefeitura candidata-se, automaticamente, a forte liderança política, desde que não seja vítima da síndrome da soberba do segundo mandato. Bobo, já provou que não é. Perdendo, o novo líder emergirá do que sobrar da confusão instalada no ninho tucano com a pré-candidatura de Marçal Filho. Vingando a candidatura, o radialista precisa ganhar a eleição. Ganhando, precisa fazer tudo o que sempre criticou em Alan Guedes e em seus antecessores. Lembrando que liderança política é diferente de liderança de audiência de rádio.

Por fim, prefeito de Angélica, antigo e longínquo distrito de Dourados, secretário de Justiça e Segurança Pública, gestor que tirou a Sanesul do buraco, depois deputado estadual, o também professor Barbosinha vai dando toda a pinta de que não pretende repetir os vacilos de Braz Melo e Murilo Zauith como vice-governador. Unha e carne com o governador Eduardo Riedel, prefeito ou não, com ou sem Alan, vai sendo colocado, naturalmente, como a nova referência política não só de Dourados, como de toda a região.   

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