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sexta-feira, abril 4, 2025

Morre o pastor que ‘profetizou’ a Uragano

Além de pastor presbiteriano Matatias foi professor de Direito na Unigran

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Faleceu na noite de domingo em Piracicaba-SP, aos 80 anos, o reverendo Matatias Pereira Alves, um dos nomes mais respeitados da Igreja Presbiteriana do Brasil em Dourados. Pastor titular por sete anos da IPB Central e da IPB Filadélfia na cidade, deixou um legado que ultrapassa os limites da comunidade religiosa, marcando gerações como educador, teólogo e formador de pastores. Foi ele também o primeiro a alertar a comunidade presbiteriana sobre ilícitos como os que chafurdaram a IPB na Operação Uragano.

Matatias dedicou grande parte de sua vida ao ministério pastoral, liderando congregações não apenas em Dourados, mas também em Itanhaém e Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo. Sua formação sólida em teologia – com especialização no pensamento de Karl Barth e Berkhof – fez dele uma referência intelectual, mas foi sua capacidade de traduzir conceitos complexos em mensagens acessíveis que conquistou o respeito de fiéis e colegas de ministério.

Além do trabalho pastoral, Matatias deixou contribuições significativas na área educacional. Foi diretor da Escola Mackenzie em São Paulo e professor da Unigran em Dourados, onde lecionou no curso de Direito. Na Missão Caiuás, dirigiu o Instituto Bíblico Philip Lands, formando dezenas de pastores que hoje atuam em diversas regiões do país, entre eles o reverendo Marcos Alves, atualmente na IPI do interior paulista.

Quem o conheceu destaca seu estilo único de liderança – às vezes desconcertante, sempre propositivo. Ficaram famosas suas “lições práticas”, como o dia em que realizou um culto relâmpago para chamar atenção sobre a importância da pontualidade, ou quando colocou um caixão com espelho no templo, levando os fiéis a refletirem sobre sua própria espiritualidade. “Conheci-o na infância, pregando nos retiros de Carnaval. Inesquecível”, recorda Sônia Matos Fialho, uma das muitas pessoas impactadas por seu ministério.

O reverendo Antônio Balbino Martins, amigo de cinco décadas e ex-capelão do Hospital Mackenzie em Dourados, resumiu a partida do colega com as palavras: “Meu amigo nos precede nessa jornada”. Já o reverendo Vivaldo S. Melo, que teve Matatias como tutor na Faculdade Teológica e como oficiante de seu casamento em Guia Lopes da Laguna, destaca o papel fundamental que ele desempenhou em sua formação ministerial e pessoal.

Além de pastor, Matatias cumpriu um papel profético ao alertar, pioneiramente, a comunidade presbiteriana de Dourados sobre riscos éticos que mais tarde se materializariam no escândalo da Operação Uragano (2010) – investigação que envolveu desvios milionários em licitações e dizimou uma promissora geração política, levando de roldão lideranças da própria igreja. Suas advertências, feitas anos antes em sermões e reuniões pastorais, revelavam não apenas discernimento espiritual, mas coragem para confrontar estruturas de poder, mesmo quando isso lhe custou isolamento dentro de certos círculos eclesiásticos. Para quem o conhecia, era claro: sua leitura da realidade vinha da mesma fonte que alimentava sua teologia – uma fé inquieta com a injustiça.”

Matatias deixa o filho Carlos Eduardo Araújo Alves, membro da IPB Central de Dourados – mesma igreja que pastoreou por sete anos –, netos e uma extensa rede de discípulos e amigos. O corpo foi cremado nesta segunda-feira, em Piracicaba.

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