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domingo, abril 6, 2025

Tarifaço Trump impacta a globalização

Além de alíquotas específicas, EUA vão impor uma sobretaxa linear de 10% sobre todas as nações com os quais faz comércio

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) que vai impor tarifas que ele considera recíprocas sobre produtos comprados de outros países. A medida entra em vigor em 9 de abril. Em cerimônia na Casa Branca, o republicano disse que o objetivo é trazer empregos e fábricas de volta ao país.

Em quadro mostrado pelo presidente, o Brasil aparece com taxa de 10%. “Estamos sendo muito gentis, somos pessoas muito gentis. Nós vamos cobrar aproximadamente metade daquilo que eles nos cobram. As tarifas não serão completamente recíprocas”, afirmou o republicano.

Em conversas oficiais antes do anúncio, o Brasil foi citado por integrantes do governo americano como um país que exige licenças para importar produtos agrícolas, em um exemplo dos tipos de barreiras não tarifárias que incomodam a gestão Trump.

Além da tarifa recíproca, países de todos os países com os quais os Estados Unidos fazem comércio pagarão uma taxa linear de 10%, que entrará em vigor já neste sábado (5).

Trata-se do movimento mais forte do republicano até agora em direção ao que pode ser uma guerra comercial mundial. Trump se refere ao anúncio como o Dia da Libertação.

A guerra comercial tende a se aprofundar com o anúncio de Trump desta quarta. A China foi sobretaxada em 34%, a União Europeia em 20% e o Japão em 24%.

As chamadas tarifas recíprocas serão cobradas sobre países classificados como os que mais prejudicam os EUA pelo governo americano.

Ao todo, cerca de 60 países sofrerão as tarifas extras mais duras. Um funcionário da Casa Branca afirmou, antes do anúncio, que as tarifas foram personalizadas para cada país, com números foram calculados usando metodologias bem estabelecidas.

Trump já havia imposto tarifas de 20% sobre todas as importações da China e sobretaxas de 25% sobre aço e alumínio vindos de todos os países.

O republicano adiou a tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos vindos de Canadá e México para pressioná-los a reforçar o combate ao tráfico de drogas e à imigração ilegal, embora essa medida deva expirar nesta quarta.

O governo brasileiro estava pessimista antes do anúncio e com poucos detalhes sobre como o Brasil seria atingido. Preparando-se para o que viria, o Senado aprovou nesta terça-feira (1º) um PL (projeto de lei) que autoriza o governo a retaliar comercialmente países que imponham barreiras discriminatórias contra produtos brasileiros, unindo a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à bancada ruralista. O texto deve ser apreciado na Câmara ainda nesta semana.

Como justificativa para a medida, o americano afirma que as demais nações exploram os Estados Unidos com tarifas elevadas de importação para produtos americanos. Argumenta também que esta é uma maneira de atrair fábricas para os EUA, numa tentativa de reindustrializá-lo em setores-chave.

A imposição das sobretaxas ocorre apesar do alerta de integrantes do mercado e do próprio governo Trump de que o ato pode gerar inflação nos EUA, além de prejudicar a relação com as demais nações.

Analistas do Deutsche Bank Research afirmaram nesta quarta que outros impostos a produtos estrangeiros já anunciados por Trump elevaram a tarifa média nos EUA para 12%. Em nota, eles dizem que este seria o nível mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial.

O documento ainda afirma que as novas barreiras anunciadas nesta quarta por Trump podem ampliar a tarifa média aplicada pelos EUA a 18%, se aproximando de um nível registrado no país no início dos anos 1930, no período pós-aprovação Lei Tarifária Smoot-Hawley, o que contribuiu para a Grande Depressão.

O problema alertado por economistas é que a tendência é de as empresas repassarem os custos extras aos consumidores, impulsionando a inflação nos EUA.

Trump já anunciou sobretaxas ao Canadá, México e China, tarifou indústrias de automóveis, além do alumínio e o aço. O Brasil é um dos países mais afetados com as tarifas extras para o aço.

Produtos semiacabados de aço, como blocos e placas, estão entre os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA, ao lado de petróleo bruto, produtos semiacabados de ferro e aeronaves. Segundo dados do governo americano, o Brasil está entre os três maiores fornecedores de aço ao país (ao lado de México e Canadá), com US$ 2,66 bilhões vendidos no ano passado.

Recentemente, Trump também anunciou tarifas sobre automóveis importados, medida que pode impactar o setor de autopeças nacional. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,3 bilhão em componentes do tipo para os Estados Unidos.

Julia Chaib/Folha de S.Paulo (De Washington)

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