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domingo, março 15, 2026

Fábio Trad desliga o piloto automático da sucessão de Riedel e turbina Nelsinho no Senado

Decisão do PT nacional bagunça certezas de 2026 em MS, pressiona o governador e embaralha a disputa senatorial com Azambuja e o fator Simone Tebet no radar

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O lançamento do ex-deputado federal Fábio Trad como candidato do PT ao governo de Mato Grosso do Sul, oficializado pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, muda mais do que parecia possível até poucas semanas atrás no cenário da sucessão do governador Eduardo Riedel. Até aqui, a reeleição de Riedel era tratada como praticamente certa, amparada pelo amplo arco de alianças que o sustenta e pela ausência de uma oposição organizada, inclusive com a complacência histórica do próprio PT estadual, cujo maior líder, o ex-governador Zeca do PT, votava sistematicamente na Assembleia Legislativa alinhado ao líder governista Londres Machado.

Esse cenário começa a ruir a partir do momento em que o PT rompe o conforto institucional e decide ter candidato próprio, com aval explícito da direção nacional e alinhamento direto ao projeto de reeleição do presidente Lula. A candidatura de Fábio Trad não nasce apenas como um gesto simbólico, mas como peça de uma engrenagem maior que envolve o fortalecimento do palanque lulista no Estado, a reorganização interna do PT e a tentativa clara de tirar a eleição de 2026 do piloto automático.

Fábio não entra sozinho na disputa. Entra acompanhado de uma chapa robusta, com a ex-primeira-dama Gilda dos Santos como vice, Zeca do PT puxando a chapa proporcional estadual e Vander Loubet, presidente regional do partido e principal articulador da filiação de Trad, lançado candidato ao Senado Federal. Trata-se de uma decisão estratégica nacional, escancarada pela presença de Edinho Silva em Campo Grande, que fez questão de alinhar o diretório estadual às diretrizes do partido e encerrar qualquer especulação em torno de alianças que descaracterizassem o projeto petista.

Mas talvez o efeito mais sensível dessa candidatura não esteja diretamente na disputa pelo governo, e sim no redesenho da eleição para o Senado. A entrada de Fábio Trad tende a alavancar a candidatura à reeleição do irmão, o senador Nelsinho Trad, que já aparece colado em Reinaldo Azambuja, nome do bolsonarismo tratado até aqui como virtualmente eleito. A família Trad tem tradição eleitoral em Campo Grande, e a possibilidade de transferência cruzada de votos entre Fábio e Nelsinho não pode ser subestimada.

Some-se a isso o esforço permanente do ex-prefeito Marquinhos Trad para desgastar a administração da atual prefeita Adriane Lopes, o que ajuda a manter o sobrenome em evidência na capital, principal colégio eleitoral do Estado. Na hora do voto, o eleitor tende a considerar esse conjunto de fatores, e a soma pode resultar numa equação perigosa tanto para Riedel quanto para Azambuja.

Riedel, porque deixa de enfrentar uma eleição sem antagonismo claro e passa a ter um adversário com discurso, palanque nacional e militância organizada. Azambuja, porque além do crescimento potencial de Nelsinho Trad, terá de colocar as barbas de molho também diante do fator Simone Tebet, ministra do Planejamento de Lula, que com um candidato petista formal ao governo no Estado perde o papel exclusivo de interlocutora do Planalto em Mato Grosso do Sul, mas ganha razões adicionais para tentar, mais uma vez, retornar ao Senado e ocupar a cadeira que foi de seu pai, Ramez Tebet.

Edinho Silva, ao falar em cenário de vitória para o PT em Mato Grosso do Sul, evocando 1998, não o fez por retórica vazia. O recado foi claro: o partido aposta num palanque forte, com chapa majoritária definida, chapas proporcionais competitivas e alinhamento total com o projeto nacional. Ao mesmo tempo em que sinalizou respeito e disposição para dialogar com Simone Tebet, deixou evidente que esse diálogo não se dará em detrimento do projeto partidário já em curso.

Em resumo, o lançamento de Fábio Trad não garante vitória ao PT, mas cumpre um papel talvez ainda mais relevante: desmonta certezas, bagunça o jogo e transforma uma eleição que parecia resolvida em uma disputa aberta, com riscos reais para quem, até ontem, se considerava eleito antes mesmo da campanha começar.

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