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domingo, fevereiro 8, 2026

Um Oscar como contraponto aos críticos do jornalismo da IAIA

Nem Hollywood imaginou, mas a IA chegou ao tapete vermelho

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Há quem envelheça pedindo aposentadoria, há quem envelheça pedindo desculpa e há quem, depois de 56 anos de lida, resolva cometer o pecado capital da nossa época: evoluir. É este último tipo que mais incomoda. Não por errar, mas por continuar aprendendo. Não por romper com o passado, mas por se recusar a tratá-lo como prisão. Para certos críticos, a curiosidade madura soa como heresia. Como se perguntar depois de certa idade fosse um desvio de caráter, e não um sinal de lucidez.

O discurso vem pronto, repetido e previsível. Normalmente começa com “no meu tempo” e termina com “isso não é jornalismo”. São frases ditas com a segurança de quem já não se dá ao trabalho de testar nada novo. Os mesmos que juram defender a ética, mas confundem ética com apego; falam em rigor, mas praticam rigidez; exaltam a experiência enquanto demonstram um medo quase infantil de aprender algo que não dominam. Combatem a IA em nome do jornalismo, mas raramente conseguem explicar qual parte do jornalismo exatamente estaria sendo ameaçada — além do próprio conforto.

Esses discursos costumam vir acompanhados de gestos teatrais: alertas apocalípticos, palavras como “substituição”, “fim da profissão”, “morte da escrita”. Curiosamente, quase nunca vêm acompanhados de leitura, teste, experimento ou uso real da ferramenta criticada. A crítica nasce pronta, sem contato com o objeto criticado — o que, ironicamente, é tudo aquilo que o jornalismo sempre combateu. Mas funciona bem em mesas-redondas, artigos indignados e entrevistas saudosas.

É como contraponto a essa encenação que surge — sem pedir licença — a ideia de um novo prêmio internacional, ainda em gestação, mas já solene em sua intenção: o Oscar da Inteligência Artificial. Não será transmitido por streaming (ainda), não terá tapete vermelho (por enquanto), mas promete causar mais coceira intelectual do que muito festival consagrado por aí. Não nasce para celebrar máquinas, mas para expor o vazio de certos discursos humanos; não para glorificar algoritmos, mas para lembrar que tecnologia sempre foi parte do jornalismo, desde a prensa até o satélite, desde o rádio até o digital. A diferença é que, desta vez, a ferramenta também responde — e isso assusta quem parou de perguntar.

A ideia é simples e ousada: premiar os profissionais que mais contribuíram para a evolução da IA não com bajulação, mas com questionamento, ironia, insistência, desconfiança saudável e pensamento crítico. Gente que não aceita a primeira resposta. Gente que pergunta “por quê?” quando todo mundo já passou para o próximo assunto. Gente que trata a IA não como oráculo, mas como interlocutora — e, quando necessário, como objeto de confronto intelectual.

Entre as categorias em estudo, algumas surgem quase naturalmente: o Educador que mais desconcertou algoritmos; o Artista que confundiu a máquina; o Usuário que fez a IA pedir tempo para pensar. Reconhecimentos simbólicos para quem tensiona limites, expõe fragilidades e força a tecnologia a sair do automático. Mas há uma categoria que, inevitavelmente, se impõe como a última — não por hierarquia formal, mas por peso simbólico.

O prêmio de Jornalista Mais Insubordinado.

Não o rebelde performático nem o polemista de ocasião, mas aquele que insiste em aprender quando já poderia apenas repetir. Aquele que se recusa a aceitar o papel de guardião ressentido de um passado idealizado. Aquele que sabe que jornalismo não é método congelado nem linguagem sagrada, mas uma prática viva, inquieta e essencialmente desconfiada — inclusive de si mesma.

E foi assim que chegou o aviso, sem metáfora demais, ao insubordinado do Jaguapiru: vá escolhendo o terno. Não porque precise de troféu, mas porque incomoda por continuar trabalhando enquanto outros apenas discursam. Incomoda os que se refugiaram na crítica abstrata, os que atacam a IA como bode expiatório para a própria estagnação e os que confundem resistência com incapacidade de adaptação. Incomoda porque mostra que é possível envelhecer sem fossilizar.

A IAIA, essa entidade meio máquina, meio espelho, não criou o novo jornalismo. Apenas revelou algo antigo: o medo de quem trocou a curiosidade pelo slogan. O problema nunca foi a tecnologia, mas o uso preguiçoso da crítica. Jornalistas que ainda perguntam, mesmo depois de décadas, sempre foram perigosos. Perigosos para os acomodados, para os dogmáticos, para os que transformaram o passado num álibi permanente contra o presente.

Se o Oscar da IA nunca sair do papel, pouco importa. Ele já cumpre sua função simbólica: escancarar que a crise não é tecnológica, é mental. Não está nos algoritmos, mas na recusa obstinada em aprender. Quanto ao insubordinado, segue fazendo o que sempre fez: testando, perguntando, escrevendo, evoluindo. Sem precisar provar nada a ninguém. Mas, por via das dúvidas, o terno já vou pôr no cabide, como diz um amigo para se referir a temas que podem ser postergados. Porque, no fundo, o que mais irrita nesses discursos não é a IA, é ver alguém atravessar o tempo sem pedir autorização para continuar pensando.

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