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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Mendonça é o novo relator do caso Master

Ministro assumiu inquérito após Dias Toffoli deixar apuração

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado nesta quinta-feira como novo relator do caso envolvendo o Banco Master, após Dias Toffoli decidir deixar o posto em meio à crise aberta pela divulgação de relatório da Polícia Federal (PF) que cita seu nome. Nos bastidores, interlocutores de Mendonça afirmam que a palavra de ordem é “serenidade e responsabilidade”.

A expectativa é de que o ministro não faça manifestações públicas neste primeiro momento e conduza o caso com discrição, evitando ampliar a turbulência que marcou a fase anterior do processo. O ministro deve analisar uma eventual ida das investigações para a Primeira Instância, mas deve manter inicialmente o caso do STF.

A redistribuição ocorreu por sorteio, como prevê o regimento interno da Corte. A decisão de Toffoli foi tomada depois de reunião convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para apresentar aos colegas o conteúdo do relatório da PF com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Esta é a segunda vez que um inquérito inicialmente relatado por Toffoli passa às mãos de Mendonça. Em 2025, ele também foi sorteado relator da investigação sobre descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que vinha sendo conduzida por Toffoli.

O caso começou a ser investigado em abril deste ano na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

Ministros ouvidos sob reserva avaliam que Mendonça tende a se concentrar nos aspectos processuais e a evitar movimentos que possam ser interpretados como resposta à pressão política. A leitura interna é de que o novo relator assume o caso em um momento sensível para o tribunal e que sua atuação poderá ajudar a arrefecer a crise.

Antes mesmo que houvesse a distribuição da relatoria do Master, interlocutores de Mendonça já avaliavam de forma hipotética que haveria a possibilidade de, diante da amplitude dos casos, que as apurações de INSS e do banco de Daniel Vorcaro se encontrassem em algum momento — segundo relatos feitos ao GLOBO.

Sob a relatoria de Mendonça, a investigação do INSS chegou até autoridades, como o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, que foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma das fases da operação deflagrada em dezembro de 2025.

Por meio de decisão do ministro do STF, o advogado Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador financeiro do esquema, conhecido como “careca do INSS”, está preso

Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Mendonça construiu na Corte uma imagem de perfil mais conservador em temas de costumes, mas tem adotado postura cautelosa em processos de grande repercussão. Integrantes do tribunal afirmam que ele costuma priorizar decisões fundamentadas tecnicamente e evitar declarações fora dos autos.

A expectativa agora é sobre os primeiros despachos no caso Master — se haverá reavaliação de medidas já adotadas, eventual redefinição do escopo das investigações ou simples continuidade do que já vinha sendo conduzido. No curto prazo, a tendência, segundo colegas, é de que o novo relator faça uma análise minuciosa do material já produzido antes de qualquer movimento mais amplo.

Mariana Muniz/O Globo — Brasília

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