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quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Os 105 anos da Folha de S.Paulo

Pioneiro por décadas, jornal reafirma mais uma vez o compromisso com seu Projeto Editorial, que preconiza pluralismo, crítica e apartidarismo

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Folha de S.Paulo completa 105 anos nesta quinta-feira (19).

Celebra a data enquanto outros praticantes do jornalismo profissional atingem ciclos completos, casos de O Estado de S. Paulo (150 anos), O Globo (100 anos), UOL (30 anos em abril), Valor Econômico (25 anos), que esta Folha ajudou a construir, e G1 (20 anos em setembro).

São marcos importantes num momento em que o ofício — aquele que, guiado por princípios claros e públicos, segue regras técnicas e éticas para produzir um relato confiável dos fatos— está sob ataque, da esquerda à direita, no Brasil e no mundo.

Diz essa crítica que os veículos erram quando noticiam o que deveria ser ignorado, dão voz a quem conviria ser calado, tratam diferentes como iguais. O comentário, ora de boa-fé, ora ressentido, às vezes venal, nomina pejorativamente essa prática de “doisladismo” ou “outroladismo”.

Ele nasce da reação ao renascimento da ultradireita populista, cujos marcos foram o Brexit e a eleição de Donald Trump em 2016; e, aqui, a vitória de Jair Bolsonaro (PL) dois anos depois.

É um pensamento mágico, segundo o qual o não reconhecimento de tais forças (e das fatias cada vez mais numerosas da população dispostas a escolhê-las) bastaria para neutralizá-las.

Esse comportamento prepotente para com o eleitor (e leitor), visto como um ser incapaz, que necessita e merece tutela de entes superiores, não faz essa extrema direita desaparecer, como gostariam de acreditar esses críticos.

Folha de S.Paulo julga que é precisamente por causa do teste de estresse por que passam os seus princípios que eles devem ser reforçados. Entre os quais, a prática do jornalismo crítico, pluralista e, importante sublinhar em ano eleitoral, apartidário.

A cobertura tem de ser orientada pelo interesse público, pelo factual, não por ideologias. Na prática, o jornal pode criticar ou apoiar medidas de qualquer governo ou força política diante dos fatos disponíveis. O compromisso é com a informação precisa. Bem informado, o eleitor pode escolher melhor por conta própria.

Outro princípio sob ataque é o da modernização. O jornal ultrapassa o centenário porque nunca temeu abraçar as inovações tecnológicas; ao contrário, procurou ser o primeiro a adotá-las, o que muitas vezes provocou reações corporativistas ou ingênuas.

Foi o caso quando implantou pioneiramente a impressão colorida offset, nos anos 1960; ao ser o primeiro na América Latina a substituir as máquinas de escrever por computadores, menos de 20 anos depois; ou ao lançar o primeiro site de notícias em tempo real, em 1995.

É o caso agora, com a inteligência artificial como força liberadora do jornalista para se concentrar no que realmente importa: a busca da informação exclusiva e de qualidade, na reportagem, e a divulgação do pensamento original e relevante, no colunismo.

Esse entusiasmo não é exercido acriticamente. As mesmas empresas de inovação que promovem seus agentes autônomos devem pagar pelo conteúdo proprietário furtado por seus robôs. O interesse da IA, aliás, só reforça a importância do que é produzido pelo jornalismo profissional.

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