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domingo, março 1, 2026

Morte de Khamenei provoca comoção no Irã, festas nas ruas e onda de protestos no Oriente Médio e na Ásia

Multidões se dividem entre luto e celebração após líder supremo ser morto em ataques atribuídos a EUA e Israel; ao menos nove morrem em tentativa de invasão ao consulado americano em Karachi

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A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, aos 86 anos, desencadeou cenas opostas de luto e celebração no país e uma onda de protestos em diferentes partes do Oriente Médio, do sul da Ásia e da Europa. Segundo relatos de veículos como o The Guardian, o The New York Times e a CNN, milhares de pessoas ocuparam as ruas de Teerã e de outras cidades iranianas após a confirmação de que Khamenei foi morto durante uma série de ataques coordenados atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.

No centro de Teerã, multidões vestidas de preto e carregando fotos do ex-líder entoavam palavras de ordem como “morte à América” e “morte a Israel”. Ao mesmo tempo, em outros bairros da capital e em cidades como Shiraz e Isfahan, grupos celebravam nas ruas, dançando, soltando fogos de artifício e gritando “liberdade, liberdade”.

Multidão lota praça em Teerã para homenagear Ali Khamenei — Foto: ATTA KENARE / AFP
Multidão lota praça em Teerã para homenagear Ali Khamenei — Foto: ATTA KENARE / AFP

Vídeos mostraram homens e mulheres dançando e gritando “Woohoo, hurrah”, enquanto motoristas buzinavam e música persa ecoava pelas ruas.

Sara, 53 anos, moradora de Teerã, relatou ao The New York Times que, ao ouvir a notícia, “gritei e pulei para cima e para baixo”. Segundo ela, “então corremos para fora e gritamos com todas as nossas forças e rimos e dançamos com nossos vizinhos”. Ela afirmou que, um mês antes, havia participado de protestos contra o governo e que forças de segurança a agrediram com cassetetes e gás lacrimogêneo.

Em um vídeo publicado pela BBC, um homem gritou do alto de um telhado: “Khamenei foi para o inferno”. Já em Abdanan, cidade curda no oeste do país, jovens circularam de carro fazendo sinais de vitória. “Hoje à noite, 28 de fevereiro, parabéns pela nossa liberdade”, diz a narração de um dos vídeos verificados pelo Times. Em outro registro, um homem exclama: “Estou sonhando? Ah! Olá para o novo mundo. Ah!”.

Apesar das celebrações, apoiadores de Khamenei, que o consideravam uma figura religiosa reverenciada, expressaram tristeza nas redes sociais, mas estiveram pouco presentes nas ruas. O aiatolá, que tinha a palavra final nas decisões de governo, havia ordenado pessoalmente, segundo o jornal, o uso de força letal contra manifestantes em janeiro, em uma repressão que, de acordo com grupos de direitos humanos, matou ao menos 7 mil pessoas.

As comunicações por telefone fixo e celular foram interrompidas em várias regiões do Irã, dificultando a avaliação precisa do sentimento popular em um país com mais de 90 milhões de habitantes. Relatos iniciais indicam que mais de 100 pessoas teriam morrido na primeira onda de ataques.

A morte do líder também provocou repercussões internacionais. No Iraque, o governo anunciou três dias de luto oficial. O porta-voz Bassem al-Awadi declarou, em nota, que “com profunda tristeza, estendemos nossas condolências ao nobre povo do Irã e a todo o mundo muçulmano” após Khamenei ser morto em “um ato flagrante de agressão”.

Em Bagdá, manifestantes tentaram invadir a fortificada Zona Verde, onde fica a embaixada dos Estados Unidos. Já em Karachi, no Paquistão, centenas de jovens tentaram invadir o consulado americano. Segundo a rede Al-Jazeera, ao menos nove pessoas morreram em confronto com agentes de segurança e outras 20 ficaram feridas. Vídeos mostram manifestantes quebrando janelas do edifício enquanto a bandeira americana tremulava sobre o complexo.

Muçulmanos xiitas se reúnem durante um protesto anti-EUA e anti-Israel em Skardu, na região de Gilgit-Baltistão, no Paquistão — Foto: AHMAD AL-RUBAYE / AFP
Muçulmanos xiitas se reúnem durante um protesto anti-EUA e anti-Israel em Skardu, na região de Gilgit-Baltistão, no Paquistão — Foto: AHMAD AL-RUBAYE / AFP

Protestos também foram registrados na Caxemira administrada pela Índia. Em Londres, milhares de pessoas — muitas da diáspora iraniana — se reuniram no norte da cidade para celebrar a morte de Khamenei. Manifestantes exibiam a bandeira do “leão e do sol”, símbolo do período monárquico anterior à Revolução Islâmica, além de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos.

Quase quatro décadas após assumir o poder, a morte de Khamenei representa uma mudança histórica para o regime teocrático iraniano. Ainda não está claro qual será o próximo passo político no país — se haverá transição para um novo sistema de governo ou se o poder será transferido a sucessores previamente indicados pelo líder supremo. Enquanto isso, o Irã e a região enfrentam um cenário de incerteza e tensão crescente.

O Globo com agências internacionais — Teerã, Irã

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