O olhar passa rápido pela cena urbana. Na Autoban, em velocidade máxima, os carros se multiplicam num vai e vem interminável.
O horizonte cortado por montanhas. Antes, havia ali uma mata cerrada. Hoje, casebres coloridos disfarçam a sengracês da nuvem marrom de poluição, que insiste em ganhar espaço no justo encontro onde deveriam estar apenas o ar puro e a natureza humana.
É, senão, um alívio para os olhos, ainda que seja exigente respirar à secura do clima.
De repente, a escultura surge. El vigilante, descubro. Está ali, em posição de alçar voo a qualquer momento.
Em alerta. Atento. Pronto para intervir. Quem sabe, no momento preciso, ele se lance em voo.
Abrindo suas asas sobre a cidade. Enfeitando a vida de quem o observa, planando ao sabor do vento como uma ilusão sobre nossas cabeças.
A escultura El Vigilante está nos limites de Ecatepec de Morelos e Tlalnepantla de Baz, no Estado do México
É uma obra de bronze, instalada ao longo da rodovia federal mexicana 85D (México–Pachuca).
Jorge Marín, autor da obra, disse que ela retrata um jovem com tatuagens e piercings, que usa uma máscara de pássaro para representar Ehecatl , uma divindade associada ao vento.
Pois, que ele permaneça atento e firme. Para espantar o medo e semear, com a rapidez de um sopro, a alegria de ser. Ainda que por um breve instante. Na medida do nosso olhar ligeiro.
Inorbel Maranhão Viégas/Cidade do México
04/03/26
