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sexta-feira, março 6, 2026

O legado de Sebastião Salgado, em Paris

A exposição organizada pela mulher de SS, Lélia Wanick Salgado, está acontecendo na prefeitura da capital francesa

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Nosso querido Sebastião Salgado, o mais importante fotógrafo brasileiro, que por muitos anos viveu na França, percorrendo o mundo com sua câmera, continua e continuará em nossos corações por meio das imagens que nos deixou. Até maio, o público poderá ver, na Prefeitura de Paris, a mais recente exposição organizada por sua mulher, Lélia Wanick Salgado. Uma homenagem àquele que era um grande amante da natureza e de Paris.

Fotografias em preto e branco, cheias de respeito e humanidade: crianças, pessoas fugindo da fome na África; a vida no Brasil e na América Latina; Paris… Ele nos deixou no ano passado, aos 81 anos. Os clichês da exposição foram escolhidos por sua esposa, Lélia Wanick Salgado, curadora e sempre responsável pelas edições de suas publicações.

Cerca de 200 obras são apresentadas, entre elas um empréstimo excepcional de 114 ampliações da Maison Européenne de la Photographie, instituição que Salgado prezava muito pela importância dessa casa especializada em fotografia.

Um sucesso de público para a exposição e pouco espaço para tanta gente, como se vê pela fila!

Para quem ainda não conhece, o trabalho do fotógrafo, ele abordou as guerras de descolonização na África (1974-1976), a América Latina profunda (1977-1984) e, posteriormente, a seca e a fome no Sahel (1984-1985). Imagens que constituem a base do acervo da Maison Européenne de la Photographie. Ele também se dedicou a retratar um Brasil rural e minerador, cuja grandiosidade da natureza é ainda mais realçada pelo preto e branco de sua fotografia analógica.

As fotografias de Serra Pelada, com seus garimpeiros, mostram um trabalho duro e, ao mesmo tempo, imagens de rara beleza.

A exposição conta também com a participação de quadros de Rodrigo Salgado, filho do fotógrafo, nascido com trissomia 21, que pinta desde muito jovem.

O que mais me impressionou foi o espaço “Floresta”, criado na exposição para falar do Instituto Terra, que o casal Lélia e Sebastião criou no fim dos anos 1990 para reflorestar o sítio da família Salgado e que hoje é referência em reflorestamento e na proteção da biodiversidade local.

  • Mazé Torquato Chotil – Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Agora vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 14 livros publicados (cinco em francês). Fazem parte deles: Na sombra do ipê e No Crepúsculo da vida (Patuá); Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida negroluminosa voz; e Na rota de traficantes de obras de arte.
    Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.
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