Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, um crime brutal ocorrido na cidade vizinha de Ponta Porã voltou a expor a dimensão da violência de gênero no país. A vítima foi assassinada dentro de casa pelo próprio marido — um subtenente do Corpo de Bombeiros, instituição reconhecida justamente por sua missão de salvar vidas.
O contraste entre o uniforme que simboliza proteção e o crime cometido dentro do ambiente familiar reacende um debate antigo e urgente: a violência contra mulheres não nasce apenas nas ruas ou nos ambientes marginais, mas muitas vezes dentro das próprias relações afetivas.
Foi justamente sobre a necessidade de enfrentar essa realidade que se debruçou o debate “Educação, Respeito e Construção de uma Vida sem Medo”, realizado pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) em Dourados, durante a oitava edição do projeto “Nada Justifica”.
O encontro reuniu estudantes e integrantes da comunidade acadêmica para discutir caminhos de prevenção à violência de gênero e a construção de uma cultura baseada no respeito.
Participando da atividade, a deputada estadual Gleice Jane (PT) destacou que a transformação social passa também pelo envolvimento dos meninos e jovens homens nesse debate.
Segundo ela, além de fortalecer meninas e mulheres para reconhecer e enfrentar situações de violência, é fundamental ampliar o diálogo com os homens desde cedo.
A gente precisa conversar com os meninos. O fato de as mulheres quererem ocupar os espaços não significa querer ser mais que os homens. Nós queremos ser iguais e respeitadas de forma igual. Mas esse respeito também precisa ser construído pelos meninos e pelos homens”, afirmou.
Durante sua fala, a parlamentar também alertou para a influência de conteúdos disseminados nas redes sociais que incentivam discursos de ódio contra mulheres. Ela citou movimentos como Red Pill e Incel, que têm buscado atrair jovens com narrativas de superioridade masculina e ressentimento contra mulheres.
Para Gleice Jane, enfrentar esse tipo de discurso passa necessariamente pela educação e pelo fortalecimento de valores de respeito e convivência dentro das escolas e dos espaços de formação.
Além do debate, a deputada apresentou iniciativas legislativas de seu mandato voltadas à defesa dos direitos das mulheres. Entre elas está o Protocolo AMPARA, proposta que estabelece diretrizes para situações em que mulheres com medida protetiva trabalham no mesmo local que o agressor. Pela proposta, o homem é quem deve ser afastado do ambiente de trabalho, evitando que a vítima precise mudar de emprego ou alterar sua rotina.
Outra iniciativa destacada foi a criação do Dia Estadual de Valorização das Mulheres Artistas, voltado ao reconhecimento da contribuição feminina para a produção cultural.
Gleice Jane também defende a criação de um fundo específico para políticas de prevenção à violência contra as mulheres, com o objetivo de garantir transparência sobre os investimentos públicos destinados à área e ampliar a fiscalização das políticas públicas.
Ao encerrar sua participação no evento, a parlamentar reforçou que a mudança depende das novas gerações.
“Vocês são parte dessa transformação. A gente pode construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde mulheres e homens sejam respeitados. Essa mudança depende de todos nós”, concluiu
A oitava edição do “Nada Justifica” integra iniciativas de educação e mobilização social promovidas pelo IFMS para discutir igualdade, respeito e prevenção da violência de gênero, reforçando o papel das instituições de ensino na formação de uma cultura de paz.
