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segunda-feira, março 9, 2026

O plantio das árvores que Dourados ainda espera ver

Antes de salvar o clima do planeta, talvez valha lembrar uma antiga promessa de campanha: plantar uma árvore para cada voto recebido

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Valfrido Silva

A Câmara Municipal de Dourados aprovou nesta semana projeto de autoria do vereador Franklin Schmalz que institui o Dia Municipal para Ação Climática, a ser celebrado anualmente em 27 de abril. A proposta pretende estimular debates, atividades educativas e iniciativas voltadas à conscientização sobre os impactos das mudanças climáticas, além de promover ações de prevenção diante de eventos climáticos extremos que, segundo especialistas, tendem a se tornar cada vez mais frequentes.

A iniciativa é meritória. Afinal, discutir o clima do planeta nunca foi tão necessário. Ainda assim, ao ouvir novamente o discurso ambiental ecoar da tribuna douradense, torna-se difícil não recordar uma promessa feita pelo mesmo parlamentar em uma campanha eleitoral não muito distante.

Na tentativa de eleger-se pela primeira vez, ainda um menino imberbe na política e filiado ao Psol, Franklin Schmalz apresentou aos eleitores uma proposta que parecia unir política, ecologia e marketing eleitoral numa fórmula sedutora: plantar uma árvore para cada voto que conquistasse.

A ideia era simples, visualmente atraente e carregada de simbolismo. Cada eleitor poderia imaginar sua escolha transformando-se em sombra, oxigênio e verde espalhados pela cidade.

A eleição, porém, não lhe foi favorável. Derrotado nas urnas, o compromisso ambiental acabou ficando pelo caminho, como tantas promessas de campanha que costumam desaparecer na mesma velocidade com que os cartazes são retirados dos postes.

Na eleição seguinte, Franklin voltou às urnas. Desta vez por outro partido — agora filiado ao PT — e com desempenho eleitoral muito mais expressivo. Foi eleito segundo vereador mais votado de Dourados, com respeitáveis 2.452 votos, ficando atrás apenas da fenômeno eleitoral Isa Cavala Marcondes.

É justamente nesse ponto que a matemática eleitoral começa a despertar certa curiosidade pública. Se a promessa feita no passado ainda estiver em vigor, com um ano e dois meses o atual mandato teria produzido até agora algo próximo de 2.500 novas árvores espalhadas pela cidade. Que fosse a metade disso, sinalizando o cumprimento da promessa antes antes da próxima campanha eleitoral. Seria uma contribuição ambiental considerável — uma pequena floresta urbana nascida diretamente das urnas.

Até o momento, contudo, a paisagem douradense não parece ter registrado tamanha transformação botânica. Talvez seja porque o partido já não seja mais o mesmo. Ou talvez porque plantar árvores sob o sol generoso dos trópicos seja tarefa bem mais trabalhosa do que defender o meio ambiente ao abrigo confortável da tribuna legislativa.

A fotografia que acompanha o material divulgado pelo gabinete mostra o vereador plantando uma muda. O gesto é digno de registro e certamente rende boa imagem nas redes sociais. Mas a matemática, como se sabe, é menos fotogênica e costuma ser implacável.

Se a promessa ainda estiver valendo, restariam 2.451 árvores para completar a conta apresentada ao eleitorado. Por via das dúvidas, o contrapontoMS abre espaço ao vereador caso ele deseje apresentar um relatório detalhado de quantas vezes já colocou a mão na massa — ou melhor, na terra vermelha de Seu Marcelino — indicando com precisão quantas árvores brotaram de seu esforço.

O recém-criado Dia Municipal para Ação Climática pode, sem dúvida, estimular reflexões importantes sobre o futuro ambiental do planeta. Mas antes de pensar em salvar o clima global, talvez seja prudente começar pelo básico. Cumprir aquilo que um dia foi prometido à própria cidade.

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