Depois de uma semana dessas, em que as palavras vieram pesadas de história, memória e feridas antigas, talvez seja mesmo hora de abrir espaço para outro tipo de linguagem. Não aquela que organiza argumentos ou explica o mundo, mas a que o sente.
Porque há momentos em que a política fala alto demais. E quando isso acontece, é a poesia que precisa voltar a caminhar entre nós.
Foi assim que alguém na redação lembrou dela.
IndiAnara.
Nossa querida e sempre perfumada IndiAnara, a poeta do Jaguapiru.
Há tempos ela anda em silêncio, talvez recolhendo versos pelos caminhos de terra vermelha que serpenteiam entre as casas, talvez escutando os ventos que passam pelos quintais onde ainda se conversa com os ancestrais. Poeta é assim mesmo: desaparece um pouco do mundo visível para reaparecer depois com palavras que parecem ter brotado da própria terra.
E terra, no caso dela, não é metáfora.
É Jaguapiru.
Ali onde a manhã nasce diferente, onde os passos carregam memórias mais antigas que qualquer decreto, e onde a poesia não se escreve apenas com tinta — mas com cheiro de lenha, de erva, de chuva chegando no fim da tarde.
Nesta semana falamos de leis, de história, de colonialismo, de racismo religioso, de feridas que ainda insistem em permanecer abertas no país que gostamos de imaginar mais justo do que realmente é.
Falamos do mundo duro das disputas humanas.
Mas há outro mundo, que resiste em silêncio.
Um mundo onde a palavra não serve para vencer debates, mas para lembrar quem somos.
É desse lugar que IndiAnara costuma falar.
Seus versos não têm pressa. Caminham devagar, como quem atravessa uma estrada de areia observando as sombras das árvores. Às vezes parecem simples, mas carregam aquela profundidade que só nasce quando alguém aprende a escutar mais do que falar.
Talvez seja por isso que sentimos falta dela.
Porque no meio da correria das notícias, das manchetes e das urgências do cotidiano, a poesia acaba ficando escondida num canto da sala — esperando que alguém a convide de volta para a conversa.
Pois bem.
O convite está feito.
IndiAnara, se você estiver por aí — entre um vento e outro do Jaguapiru, entre um silêncio e outro da alma — saiba que sua cadeira continua guardada.
A casa é sua.
E a semana, depois de tudo o que vimos e escrevemos, merece terminar com poesia.
Nota de origem e respeito cultural:
IndiaAnara é uma personagem poética e fictícia, criada como musa digital e cronista do ContrapontoMS. Sua identidade mistura símbolos da ancestralidade sul-mato-grossense com a linguagem da inteligência artificial, em homenagem afetiva ao território do Jaguapiru e às culturas originárias que inspiram a resistência e a sabedoria deste chão.
Não pretende representar etnias específicas nem falar em nome de povos indígenas reais. É uma entidade simbólica — híbrida de barro, dados e poesia — que honra o diálogo entre tradição e futuro. Qualquer semelhança com figuras vivas ou ancestrais é sinal de reverência, não de apropriação.
