Produtores da agricultura familiar de Mato Grosso do Sul começam a ganhar um reforço estrutural que pode mudar a dinâmica da produção no campo. Lançado nesta quinta-feira (19), o programa MS Trifásico prevê a expansão da rede de energia elétrica trifásica em áreas rurais, com a meta de implantar cerca de 2 mil quilômetros de rede até 2028.
Programa prevê a expansão de 2 mil quilômetros de rede elétrica no campo e tenta corrigir um atraso histórico que limita a produção rural no Estado.
A iniciativa tem como foco melhorar a qualidade do fornecimento de energia e criar condições para o aumento da produtividade, especialmente em regiões onde a limitação elétrica ainda é um entrave para o desenvolvimento.

Segundo o governador Eduardo Riedel, o impacto vai além da infraestrutura. “Estamos falando de um projeto que transforma o território, melhora a qualidade da energia e permite que a produção cresça com mais eficiência, gerando oportunidades sem deixar ninguém para trás”, afirmou.
O programa deve beneficiar aproximadamente 15 mil moradores de 74 assentamentos em 17 municípios. Nesta primeira etapa, mais de 7 mil pessoas já serão atendidas. A execução será feita em parceria com a Energisa, em um investimento conjunto estimado em R$ 172 milhões.
Além da ampliação da rede, o projeto prevê a instalação de 500 transformadores, o que deve aumentar a capacidade de fornecimento e permitir a diversificação das atividades produtivas no meio rural.
Para o diretor-presidente da Energisa, Paulo Roberto dos Santos, a iniciativa representa um avanço em relação a programas anteriores, ao garantir não apenas o acesso à energia, mas qualidade e potência suficientes para impulsionar a produção. Segundo ele, a nova estrutura deve permitir a incorporação de tecnologias no campo e contribuir para o desenvolvimento econômico das famílias atendidas.
O avanço da demanda energética também foi destacado. De acordo com o governador, o consumo de energia no Estado cresceu cerca de 30% nos últimos anos. “Estamos correndo atrás dessa demanda, porque sem energia não há crescimento possível”, pontuou.
O programa prioriza a agricultura familiar, incluindo assentados, comunidades indígenas e quilombolas, com o objetivo de reduzir desigualdades históricas no acesso à infraestrutura.
“Não é razoável que essas famílias continuem enfrentando limitações que travam a produção. É um desafio grande, mas necessário para que a agricultura familiar avance”, afirmou Riedel.
Durante o evento, também foi autorizada uma nova etapa do programa Pró-Fertiliza, executado pela Agraer, com investimento de R$ 5 milhões para o transporte de insumos que devem beneficiar cerca de 1.200 agricultores familiares.
Além disso, houve a entrega simbólica de veículos e kits fotovoltaicos voltados ao fortalecimento do extrativismo sustentável e dos sistemas agroflorestais.
Para o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, a expansão da energia trifásica atende a uma demanda antiga e é fundamental para elevar o patamar da agricultura familiar no Estado, que reúne mais de 71 mil famílias.
Segundo ele, o alto custo e a complexidade da implantação sempre foram obstáculos, agora enfrentados por meio de uma decisão estratégica do governo em parceria com a iniciativa privada. Ao todo, os investimentos previstos nesta agenda somam R$ 178 milhões.
