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sábado, março 21, 2026

Riedel e Ratinho anunciam mais uma ponte para ligar o MS ao Paraná

Anteprojeto prevê ligação entre MS e Paraná com impacto logístico e redução de até 130 km no trajeto até Paranaguá

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“Construir pontes” virou expressão da moda na política. Serve para tudo: aproximar adversários, suavizar discursos, criar ambientes de diálogo e até justificar alianças que, até outro dia, pareceriam improváveis. O problema é que, na maioria das vezes, essas pontes ficam no terreno da retórica, bonitas no discurso, inexistentes no mapa. Por isso mesmo, quando a conversa deixa o palanque e desce para a margem de um rio, com projeto, orçamento e prazo, vale prestar atenção.

Foi o que aconteceu neste sábado (21), no Porto São José, em São Pedro do Paraná, onde os governadores Eduardo Riedel e Carlos Roberto Massa Júnior se encontraram para a entrega do anteprojeto de uma ponte sobre o Rio Paraná, ligando Mato Grosso do Sul ao Noroeste paranaense. Ali, entre discursos de integração e desenvolvimento, apareceu algo que a política brasileira nem sempre consegue entregar: uma obra que, se sair do papel, muda de fato a geografia econômica da região.

Hoje, quem sai de Mato Grosso do Sul em direção ao Paraná precisa fazer um desvio pouco lógico — e bastante caro — passando por território paulista, pela barragem de Primavera, onde o trânsito é lento e as restrições para caminhões transformam o percurso em um teste de paciência. A promessa da nova ponte é simples na teoria e poderosa na prática: encurtar caminhos, reduzir custos e dar mais competitividade à produção que precisa chegar ao Porto de Paranaguá.

Não por acaso, a expectativa é de redução de até 130 quilômetros nesse trajeto, o que, em logística, não é detalhe — é diferença de preço, de tempo e, muitas vezes, de viabilidade.

Com investimento estimado em R$ 1,37 bilhão e prazo de execução de cerca de 48 meses, o projeto prevê não apenas a travessia sobre o rio, mas também os acessos viários, porque, como se sabe, ponte sem estrada é apenas paisagem.

No discurso, Riedel falou em estados irmãos, integração e desenvolvimento conjunto, destacando que obras dessa natureza geram emprego, renda e oportunidades. Ratinho Júnior, por sua vez, classificou o momento como histórico e tratou a ponte como um sonho antigo que começa, enfim, a ganhar forma. Até aí, nada fora do script — governadores raramente deixam escapar a grandiosidade de um projeto dessa magnitude.

Mas o que chama atenção, mais do que as frases prontas, é o contexto. A obra nasce de uma articulação que envolve não apenas os governos estaduais, mas também o setor produtivo, associações empresariais e lideranças regionais, numa engrenagem que, quando funciona, costuma tirar projetos estruturantes do papel. E isso não é pouca coisa.

O vice-presidente da Associação Comercial de Maringá, por exemplo, fez questão de lembrar que nenhuma região se desenvolve sozinha, reforçando o papel do associativismo na viabilização da proposta. Traduzindo: quando o interesse econômico se alinha com a decisão política, as coisas começam a andar.

Ainda assim, entre o anteprojeto e a inauguração, há um caminho conhecido — e nem sempre curto. Licenças, financiamento, execução, cronograma. É nessa travessia que muitas obras se perdem, viram promessa ou, no máximo, placa. Por isso, mais do que celebrar a ponte que ainda não existe, o momento exige acompanhar a ponte que começa a ser desenhada.

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