A ministra do Planejamento, Simone Tebet, acertou a filiação com o PSB para disputar as eleições por São Paulo. Em 12 de março, Tebet anunciou que iria disputar uma vaga ao Senado por São Paulo durante o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, em Campo Grande. A mudança vinha sendo costurada nas últimas semanas pela ministra e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Filiada ao MDB há quase três décadas, Tebet deixa a legenda para entrar no partido do vice-presidente Geraldo Alckmin e deve integrar a chapa liderada por Fernando Haddad (PT).
— São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política, e política é missão, e eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que eu entendo muito importante para o Brasil — disse Tebet ao participar do evento em Campo Grande.
Tebet afirmou que o processo eleitoral em São Paulo “é muito importante para o Brasil” e lembrou que, em 2022, quando disputou a presidência da República, boa parte dos votos que recebeu foram no estado.
— Tem seis meses que eu tenho sido provocada positivamente de que preciso cumprir um papel em nome do país. E quando isso chegou até mim, eu fui investigar a razão dessa convocação. E, para a minha grata surpresa, fui ver, inclusive, que São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para presidente da República. Foi onde eu tive mais votos, é onde eu tenho mais acentuação — falou.
O caminho para Tebet estar com Lula em 2026 passou obrigatoriamente pela saída da ministra do MDB e a mudança de domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo. Desde 2022, o partido apoia o governador Tarcísio de Freitas em São Paulo. Em 2024, Tarcísio foi um aliado decisivo para a eleição do prefeito Ricardo Nunes na capital, emedebista do qual Tebet não é próxima.
Já o presidente estadual do MDB, Rodrigo Arena, organiza apoio do partido à reeleição do governador. Na prática, Tebet não teria como disputar o Senado por São Paulo pelo MDB com apoio de Lula.
“Parto, mas não sem antes abraçar, carinhosamente, os companheiros que ficam. O MDB, casa que me abrigou e me permitiu servir ao Brasil por quase 30 anos, também serviu de moradia segura para os brasileiros democratas perseguidos durante a longa noite do arbítrio. Foram esses brasileiros que fizeram, para todos nós, um novo amanhecer. Brasileiros como os que refundaram o PSB, partido que agora me abraça, me acolhe e me convida a construir, juntos, o país dos nossos melhores sonhos. É a essa tarefa, nesta nova casa, que continuarei a dedicar as minhas melhores energias”, afirmou Tebet nas redes sociais.
Jeniffer Gularte/O Globo — Brasília
