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terça-feira, março 31, 2026

Ao lançar pré-candidatura, Caiado critica polarização, promete anistia a Bolsonaro, afirma que ‘acredita na ciência’ e alfineta Flávio

Governador de Goiás foi escolhido para disputar a Presidência pelo PSD, após desistência de Ratinho Júnior

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Ao ser apresentado oficialmente como pré-candidato do PSD à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, prometeu “desativar” a polarização no país ao conceder uma anistia “ampla, geral e irrestrita” que incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de estado. Ele também recusou a pecha de radical, afirmou que “acredita na ciência” e classificou Flávio Bolsonaro (PL), também pré-candidato à Presidência, como inexperiente.

– O Brasil não suporta mais viver uma situação que tem sido constante nos últimos anos. A polarização não é um traço da política nacional. Ela é sustentada por um projeto político, por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é parte dela. É o que pretendo fazer chegando à Presidência – disse.

Caiado, então, disse que concederia uma anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro como “primeiro ato” no cargo. A medida dependeria de aprovação no Congresso. Neste mandato de Lula (PT), uma proposta de revisão das penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) passou pelo Legislativo, mas foi vetada pelo petista.

– Meu objetivo é pacificar o Brasil ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, dando mostras que a partir dali vou cuidar das pessoas — afirmou o pré-candidato, fazendo analogias com a sua carreira de médico antes de ingressar na política.

O anúncio da candidatura ocorreu na tarde desta segunda-feira, 30, na sede do partido em São Paulo. Foi uma cerimônia fria, que não lotou o auditório e teve poucos momentos de reação mais efusiva da plateia. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, fez uma breve fala inaugural agradecendo aos demais postulantes à vaga e se posicionou ao lado do púlpito, onde o goiano discursou em pé.

Ele foi confirmado como pré-candidato após a desistência, na semana passada, do governador do Paraná, Ratinho Junior, considerado até então o favorito para ir às urnas. A escolha frustrou ainda o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que trocou o PSDB pelo PSD e fez críticas públicas à posição de Kassab ao ser informado da decisão. Nenhum dos dois esteve presente no pronunciamento, apesar de terem sustentado, por algumas semanas, que estariam juntos no projeto independentemente do resultado.

Desvio

Caiado se filiou apenas este ano ao PSD, mudança que justificou diante da perspectiva de o União Brasil, seu antigo partido, não lançar uma candidatura própria ao Executivo federal. Nesta segunda, fez elogios à sigla atual, alegando que ela apresenta uma “estrutura sólida” para concorrer em outubro.

Kassab tenta posicionar a candidatura em um meio-termo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas. O histórico de embates de Caiado com a esquerda e as afinidades com a direita, enquanto ruralista, trazem dúvidas sobre a capacidade do candidato de cumprir esse papel.

O ato teve um volume de críticas maior a PT e a Lula, por exemplo, em comparação a Flávio Bolsonaro. Houve também acenos a eleitores do agronegócio, setor em que circula com desenvoltura, e para aqueles que defendem um discurso linha-dura contra o crime organizado, classificado por ele como uma ameaça à soberania do país.

— O agro era um setor que não era pop, nem era tech, e o Caiado já o defendia desde 1976. Hoje, sem dúvida é o setor mais competitivo do país, que mostra o que existe de mais moderno e com respeito ao meio ambiente — lembrou ele.

Caiado rejeitou a pecha de radical no evento, mas não a de candidato pertencente à classe política.

— Ninguém atinge a aprovação que tenho em Goiás sendo radical. Sou uma pessoa que aprendi a cuidar de vidas. Um homem que acredita na ciência, na pesquisa, no avanço tecnológico.

Ao final do pronunciamento, alegou que uma experiência prévia no Executivo é necessária para fazer um bom governo e inviabilizar o PT no futuro, em uma indireta a Flávio que não foi além disso, mesmo quando cobrado por jornalistas a ser mais objetivo na avaliação.

— Difícil é governar para o PT não ser mais opção no país. Ganhar não é a maior dificuldade, e vamos ganhar. Mas vai saber governar? Ou vai aprender a governar na cadeira?

Caiado, no lançamento da candidatura, em São Paulo — Foto: Edilson Dantas / O Globo
Caiado, no lançamento da candidatura, em São Paulo — Foto: Edilson Dantas / O Globo

No jogo

Apesar de evitar cravar a candidatura neste momento, dizendo não ter “entrado no jogo ainda”, Caiado recebeu sinal positivo de Kassab para ir até o fim nos planos presidenciais. Será a primeira vez que o partido disputa a Presidência. Na eleição passada, o PSD chegou a se movimentar com o senador Rodrigo Pacheco, de Minas Gerais, mas abandonou a ideia no meio do caminho e decidiu pela neutralidade em nível federal.

Caiado renunciará ao segundo mandato como governador de Goiás nos próximos dias, de modo a cumprir a exigência de desincompatibilização da Justiça Eleitoral até seis meses antes do primeiro turno, ou seja, 4 de abril. Ele será substituído na administração estadual pelo vice, Daniel Vilela (MDB), candidato à sucessão em uma chapa que deve incluir ainda a esposa do político, a advogada Gracinha Caiado (União Brasil), como candidata ao Senado.

O político também foi deputado federal por cinco mandatos, uma vez senador e concorreu, pela primeira vez, a presidente em 1989. Ele é conhecido por ter fundado, na década de 1980, a União Democrática Ruralista (UDR), uma entidade ligada ao agronegócio que tentava se contrapor ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Em pesquisa Datafolha realizada entre os dias 3 e 5 de março, Caiado marcou 4% das intenções de voto no cenário de primeiro turno, quando testado separadamente de Ratinho e Leite. O candidato apareceu distante do presidente Lula, que somou 39% do total no mesmo cenário, e de Flávio Bolsonaro, que atingiu 33%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Na pesquisa Genial/Quaest, também divulgada no início do mês, o político teve desempenho semelhante: 4% das intenções de voto no primeiro turno. No cenário com mais nomes em que o pré-candidato do PSD foi testado, Lula marcou 39%, enquanto Flávio somou 32%, com a mesma margem de erro de dois pontos. A pesquisa foi a campo entre os dias 6 e 9 de março.

Samuel Lima/O Globo — São Paulo

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