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terça-feira, março 31, 2026

Lula confirme Alckmin, de novo, como vice

Anúncio ocorre após tentativa frustrada de acordo com MDB para presença na chapa e diante de resistências de aliados de embarcar na disputa pelo Senado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Geraldo Alckmin seguirá como vice na chapa que vai tentar a reeleição em outubro. O anúncio foi feito durante a reunião ministerial na manhã desta quarta-feira no Palácio do Planalto.

— Alckmin vai ter que deixar o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) porque ele é candidato a vice-presidente outra vez — disse Lula na presença dos outros ministros.

Lula e aliados próximos vinham manifestando interesse em atrair o MDB para a vice, com Alckmin entrando na disputa pelo Senado em São Paulo. Mas resistências tanto no partido quanto do próprio Alckmin minaram a possibilidade. Esse cenário consolidou a permanência dele como candidato a vice do petista este ano

Ministros de Lula relatam que nunca houve uma costura formal com o MDB para que uma chapa de fato saísse do papel, exceto pelo fato de Lula ter indicado isso em uma reunião com os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL).

As articulações, porém, não chegaram a prosperar, embora auxiliares afirmem que ouviram do petista o desejo de trocar de vice para disputar o quarto mandato.

Esse grupo também aponta como decisivo para enterrar qualquer negociação o movimento feito pelo próprio Alckmin, logo após Lula ter admitido, pela primeira vez, a possibilidade de excluir o aliado da disputa à Presidência, no início do ano. Na época, o vice passou a dizer a aliados que não disputaria nenhum outro cargo se fosse descartado na chapa de Lula.

Ou seja, Alckmin indicou não toparia concorrer por São Paulo, como vinha sendo ventilado, estado que governou por quatro mandatos. Na ocasião, a disputa no estado ainda estava indefinida. Neste mês, no entanto, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad foi lançado pré-candidato ao governo, mas a entrada de Alckmin na corrida ao Senado seguiu sendo vista com bons olhos por Lula.

Pressão pública

A permanência na chapa de Lula foi questionada logo no início do ano, quando o presidente admitiu pela primeira vez a possibilidade de excluir o aliado da disputa à Presidência.

Em entrevista ao Portal UOL, Lula disse que tanto Alckmin quanto Haddad, ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), poderiam ser candidatos ao governo de São Paulo.

— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem. A Simone (Tebet) também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela — afirmou Lula na ocasião.

A pressão aumentou nos meses seguintes. No dia 19 de março, durante o lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, Lula havia deixado em aberta possibilidade de Alckmin concorrer ao Senado no estado e não permanecer na vice.

No evento, o presidente disse que “ficaria imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez”. Mas em seguida, falou que o ex-tucano deveria “conversar com o Haddad para saber onde colhemos mais fruto dele”. Alckmin estava no evento.

— Ser candidato ao Senado ajuda mais. Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar — completou o presidente, na ocasião, deixando em aberto a possibilidade de Alckmin não permanecer como seu companheiro de chapa.

Mais trocas

Lula também afirmou que 18 dos 38 ministros que compõem o governo vão deixar os cargos para concorrer na eleição em outubro. Segundo Lula, as mudanças são necessárias porque os aliados terão “missões mais importantes”.

A saída seis meses antes do pleito, ou seja, até 4 de abril, é uma exigência da lei eleitoral.

— Eles nos deixarão porque terão missões mais importantes nos próximos meses. É um direito legítimo disputar uma eleição, seja qual cargo for — disse Lula na abertura da reunião.

De acordo com o presidente, parte das trocas serão concretizadas já na reunião e outras ocorrerão nos próximos dias. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, por exemplo, vai deixar o cargo após participar de uma inauguração ao lado de Lula em Salvador.

— Essa reunião hoje em que pelo menos 14 companheiros deixarão o governo a partir de hoje, mais quatro companheiros que vão anunciar daqui a pouco. E depois quem sabe mais alguns.

As mudanças

Com as substituições, o governo passará a ser composto em grande parte por nomes de menor expressão política e rostos menos conhecidos. A maioria dos ministérios será comandada pelos atuais secretários executivos. Fazem parte desse grupo, por exemplo, a pasta da Educação, que deve ter Leonardo Barchini no lugar do ex-governador do Ceará Camilo Santana, e dos Transportes, com a promoção de George Santoro, para a vaga do ex-governador de Alagoas Renan Filho. 

Na Fazenda, onde Fernando Haddad antecipou a sua saída em 19 de agosto, a promoção do secretário executivo já ocorreu com a nomeação de Dario Durigan. O mesmo modelo de promoção do número 2 acontecerá na Casa Civil, ministério responsável por coordenar as ações do governo. Miriam Belchior, que foi ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff, assumirá o lugar de Rui Costa, que concorrerá ao Senado pela Bahia.

Lula também usará as trocas para promover acomodações políticas. No cobiçado Ministério da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que sairá para concorrer ao Senado pelo Mato Grosso, será substituído por André de Paula (PSD), atual titular da pasta da Pesca. A mudança é um gesto do Planalto à bancada do PSD na Câmara, já que André de Paula é deputado federal licenciado. 

O presidente ainda aproveitará para testar um nome visto como proeminente dentro do governo em um posto de primeiro escalão.  O economista Bruno Moretti, que atualmente está à frente da Secretaria Especial de Análise Governamental, vinculada à Casa Civil, assumirá o Ministério do Planejamento em lugar de Simone Tebet.

Também são certas as saídas dos ministros Jader Filho (Cidades), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Anielle Franco (Igualdade Racial), Silvio Costa Filha (Portos e Aeroportos), André Fufuca (Esportes), Marina Silva (Meio Ambiente), Waldez Goes (Desenvolvimento Regional), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Sônia Guajajara (Povo Indígenas). Todos esses devem ser substituídos pelos secretários executivos. Mas apesar da diretriz de privilegiar os números 2, ocupantes desses postos disseram ao longo da segunda-feira que ainda não tinham sido convidados oficialmente para assumirem os ministérios. 

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também irá deixar o cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná. O seu substituto, porém, ainda segue indefinido. O plano era nomear o secretário do Conselho do Desenvolvimento Econômico Social, o Conselhão, Olavo Noleto, mas Lula decidiu optar por um político com mais experiência. Há possibilidade de o cargo ser ocupado interinamente até a escolha do substituto de Gleisi.

Além dos nomes certos, ainda podem deixar o governo Márcio França, Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Wolney Queiroz (Previdência).

Jeniffer Gularte, Sérgio Roxo e Ivan Martínez-Vargas/O Globo — Brasília

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