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segunda-feira, abril 6, 2026

Irã pode ser derrubado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã, diz Trump

Nova ameaça do presidente americano menciona ultimato mais recente de Washington a Teerã para que país persa permita a reabertura do Estreito de Ormuz

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que “todo” o Irã poderia ser “eliminado” até a noite de terça-feira. A nova ameaça do líder americano menciona o ultimato mais recente de Washington a Teerã para que o país persa permita a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem marítima essencial para o comércio global, cujo fechamento por parte do Irã tem afetado principalmente o mercado mundial de combustíveis.

— Todo o país poderia ser eliminado em uma noite, e essa noite pode muito bem ser amanhã (terça-feira) — afirmou durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca.

O presidente ainda detalhou a ameaça, afirmando que os EUA têm capacidade de destruir toda a infraestrutura crítica do país em poucas horas.

— Temos um plano que prevê que todas as pontes do Irã serão destruídas e que todas as centrais elétricas ficarão fora de serviço, em chamas, explodindo e sem possibilidade de voltar a funcionar. Tudo isso pode ser feito em até quatro horas, se quisermos — disse, em referência ao prazo que vence às 20h de terça-feira em Washington.

Ao lado de Trump durante um pronunciamento à imprensa, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, insistiu, como fez na semana passada, que haveria “mais ataques ao Irã hoje do que ontem”, e mais “amanhã do que hoje”. Isso sugere uma escalada a curto prazo para pressionar a República Islâmica, como Trump afirmou na segunda-feira, a “pedir rendição”. A estratégia ainda não funcionou, mas Hegseth pareceu indicar que o governo continuava a seguir esse plano.

— Escolha com sabedoria, porque este presidente não está para brincadeiras — alertou ele aos iranianos.

As declarações acontecem em meio à notícia de que EUA e Irã receberam, entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira, um novo plano de cessar-fogo em duas etapas, elaborado pelo Paquistão, de acordo com uma fonte ouvida pela agência Reuters. A proposta prevê o fim imediato das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, seguido por um período de negociação para um acordo de paz definitivo.

Trump chegou a dizer que o plano de paz era um “passo muito significativo” para o fim do conflito no Oriente Médio, embora os termos ainda não fossem os ideais. O Irã, por sua vez, rejeitou qualquer termo que inclua um cessar-fogo parcial, e não um fim definitivo para as hostilidades e garantias de uma não retomada.

‘Crimes de guerra’

No sábado, Trump prometeu desatar “o inferno” sobre a nação persa, caso a liderança de Teerã não concordasse com um cessar-fogo ou a reabertura do Estreito de Ormuz, cujo fechamento quase total elevou o preço global do barril de petróleo para mais de 100 dólares (cerca de R$ 515). Um navio turco conseguiu cruzar a região nesta segunda, em uma rara exceção.

— Eles não terão nada. Eu não vou me aprofundar, porque existem opções muito piores — disse o republicano nesta segunda-feira.

O líder americano também descartou a possibilidade de o Irã cobrar pedágio para permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Em vez disso, afirmou que os EUA poderiam impor uma cobrança própria pelo uso da rota, sem detalhar como a medida seria implementada.

— Temos um plano para cobrar pedágio — disse.

As ameaças de atingir áreas civis deliberadamente provocaram reação por parte de autoridades iranianas e especialistas e aliados dos EUA, que afirmam que o presidente tem ameaçado com frequência cometer crimes de guerra. Mais cedo, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que se o presidente americano concretizasse as ameaças estaria violando o direito internacional.

“O presidente dos Estados Unidos, como a mais alta autoridade de seu país, ameaçou publicamente cometer crimes de guerra”, escreveu Gharibabadi nas redes sociais. “Recomenda-se que, antes que o nome do presidente dos EUA seja registrado na história como um grande criminoso de guerra, ele cesse essas ameaças, cujas consequências não se limitarão apenas ao Irã”.

Trump, por sua vez, descartou as advertências de que ataques a infraestruturas civis violariam o direito internacional.

— Não estou preocupado com isso. O que é um crime de guerra é permitir que um país doente, com líderes dementes, possua uma arma nuclear — declarou.

AFP — Washington

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