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quinta-feira, abril 9, 2026

A eleição que pode acabar no primeiro turno

Será a primeira vez que não haverá disputa na esquerda que possa tirar votos significativos do incumbente

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Na Copa da França de 1998, o jogo entre os anfitriões e o Paraguai pelas oitavas de final encerrou-se com o triunfo francês por 1 a 0, após o gol de ouro. Essa regra do gol de ouro (ou morte súbita) era usada no futebol para decidir partidas eliminatórias na prorrogação. A equipe que marcasse primeiro ganhava automaticamente. A vitória francesa entrou para a história como a primeira decidida por esse método, que foi extinto em 2004. O ano de 1998 também foi o último em que a eleição presidencial brasileira foi decidida no primeiro turno. Em 2026, não teremos morte súbita na Copa, mas podemos ter uma disputa pelo Planalto encerrada no primeiro turno. As chances são reais.

Para começar, será a primeira vez que não haverá disputa na esquerda que possa tirar votos significativos do incumbente. Essa lateral do campo de jogo estará totalmente aberta. Em 2002, Anthony Garotinho, pelo PSB, teve uma votação expressiva e quase superou José Serra. Em 2006, a candidata Heloísa Helena, do PSOL, exerceu esse papel e teve aproximadamente 7% dos votos. Em 2010 e 2014, Marina Silva ocupou o espaço de terceira via e “roubou” potenciais votos petistas no primeiro turno. Em 2018, a esquerda tinha Guilherme Boulos, do PSOL, buscando os mesmos eleitores de Fernando Haddad. Em 2022, Ciro Gomes, do PDT, também marcava o eleitorado do PT.

Todavia, na partida de 2026, o placar de votos de Lula deve ser muito semelhante entre os dois turnos. O “mercado” disponível de votos para o PT em eventual segundo turno será extremamente restrito. Certamente, sua campanha vai focar em levar já na primeira volta.

Do lado da oposição, os escalados ocupam basicamente o mesmo espectro tático-eleitoral. Tanto Flávio Bolsonaro como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e até mesmo Aldo Rebelo ocupam exatamente a mesma lateral direita. No momento, o senador pelo Rio de Janeiro tem o bônus de um sobrenome conhecido e o ônus de uma rejeição alta preestabelecida. Com esse time, os eleitores brasileiros não terão uma opção de centro nem no banco de reservas.

Nesse contexto, o eleitorado antipetista tende a aglutinar seus votos na candidatura com maior potencial de superar o PT. Esse fenômeno classifico como antipetismo de chegada e ocorre fortemente desde 2014. Ao constatar o risco real de Lula vencer já em 4 de outubro, haverá uma pressão social, política e mental enorme, entre eleitores de oposição, para descarregar votos em um candidato que possa evitar a vitória petista. Não se assustem se ouvirem recorrentemente a expressão “melhor acabar logo no primeiro turno” na reta final. Se a campanha não for exatamente propositiva e debandar para baixaria (bem possível diante do histórico recente), uma prorrogação pode ser ainda pior para a paciência dos eleitores. Com isso, provavelmente teremos uma antecipação da segunda volta já na primeira.

Tal probabilidade pode ser elevada se um dos atuais pré-candidatos resolver ser vice de algum outro, limitando ainda mais as opções disponíveis.

Por último, se os líderes das pesquisas seguirem sendo o presidente Lula, de um lado, e Flávio Bolsonaro, do outro, a alta rejeição de ambos pode aumentar os votos brancos e nulos. Como ambos são excluídos da matemática de votos válidos, essa dupla rejeição pode contribuir para o final antecipado da disputa.

Portanto, com esse esquema de jogo — um vazio na ala esquerda, oposicionistas na mesma faixa do campo, o antipetismo de chegada pedindo bola e a pouca paciência para um pleito com prorrogação e pênaltis —, o apito final de 2026 pode vir antes e subitamente.

Mauricio MouraFundador do instituto de pesquisa Ideia

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