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sábado, novembro 7, 2026

A Paulista dos barões do café, dos arranha-céus de agora e da cultura

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A estátua viva — ou estátua humana — não representa Lampião, o cangaceiro brasileiro, mas uma personagem histórica europeia. Ela continua imóvel. Uma criança a observa e ensaia uma aproximação, mas recua, assustada, quando a personagem muda de posição. O pai explica que se trata de uma pessoa, e não de uma estátua, e que é por isso que ela se mexeu.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, fechada aos carros aos domingos, é uma festa. Um verdadeiro corredor cultural. Além dos museus, centros de arte, espaços de exposições e casas de cultura, há artistas populares: músicos, pessoas que se apresentam e outras que vão observar os movimentos e as atividades. São 2,8 km de extensão para caminhar e aproveitar tudo o que a avenida tem a oferecer. E muitos desses espaços têm entrada gratuita.

Itaú Cultural (nº 149): um dos grandes centros culturais de São Paulo, oferece exposições de arte brasileira, fotografia, audiovisual, literatura e diversas atividades culturais.

Sesc Avenida Paulista (nº 119): ocupa vários andares e propõe exposições, artes visuais, espetáculos, biblioteca, oficinas e outras atividades culturais.

Casa das Rosas (nº 37): museu e espaço dedicado à poesia e à literatura, conta com jardim, exposições, saraus e encontros literários.

Centro Cultural FIESP (nº 1313): oferece exposições, teatro, cinema, instalações artísticas e atividades culturais.

MASP – Museu de Arte de São Paulo (nº 1578): um dos museus mais importantes do Brasil, reúne arte brasileira e internacional, exposições temporárias e um acervo histórico.

Instituto Moreira Salles – IMS (nº 2424): é referência em fotografia, artes visuais e exposições.

Além de todas essas atividades culturais, vale dedicar um pouco de atenção à arquitetura da avenida. Poucos são os casarões que restaram da época em que a Paulista era ocupada pelas mansões dos barões do café e da elite industrial paulistana. Se, em 1982, ainda havia 31 deles, hoje é possível contar nos dedos os que resistiram. Essa transformação começou na década de 1950, quando os primeiros edifícios começaram a pipocar na avenida.

Casa das Rosas (nº 37): construída em 1935, foi projetada pelo escritório de Ramos de Azevedo. Serviu de residência à sua filha Lúcia e ao marido dela, Ernesto Dias de Castro. Restaurada, hoje abriga um museu e um espaço dedicado à literatura e à poesia.

Palacete Franco de Mello (nº 1919): construído em 1905, é um dos testemunhos mais importantes da primeira fase residencial da Paulista. Foi residência de Joaquim Franco de Mello e é tombado pelo patrimônio histórico.

Casarão Hannud (nº 1811): construído na década de 1940 pelo arquiteto Alberto Barsuglia para uma família de imigrantes sírios e italianos, foi transformado em restaurante, preservando a fachada, a escadaria e elementos arquitetônicos originais.

Outro prédio histórico, também tombado pelo patrimônio, é o da Escola Estadual Rodrigues Alves (nº 227), projetado por Ramos de Azevedo e inaugurado em 1919. Reformado, merece um olhar demorado.

Um mundo cultural, mas também esportivo, na Paulista. Grupos de corredores e ciclistas aproveitam o espaço aos domingos. E, quando a fome aperta, são inúmeras as barracas de comida nas ruas transversais. De pastéis à comida japonesa, passando pela culinária baiana e pelas estações de chope.

A Paulista é uma festa aos domingos!

Mazé Torquato Chotil – Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Atualmente vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 16 livros publicados (seis em francês). Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus. Recebeu os prêmios da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB): Prêmio Romance 2025, pelo livro Mares Agitados: Na periferia dos anos 1970, e Prêmio Biografia 2022, por Maria d’Apparecida: negroluminosa voz.

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