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quinta-feira, julho 2, 2026

Reforma política pode esticar mandato de Murilo

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21/03/2011 – 09:03

Foto: Anita Tetslaff

Claro que ainda tem muita água para correr por debaixo da ponte ou, melhor, do túnel que passa por debaixo do eixo monumental de Brasília separando as duas Casas do Congresso Nacional, mas a prevalecer o esboço da reforma política aprovada semana passada pela Comissão que trata do assunto no Senado o engenheiro Murilo Zauith (foto) poderá esticar o mandato como prefeito de Dourados. E, pelo jeito, sua assessoria nem precisará provocar o Supremo Tribunal Federal com uma consulta quanto à possibilidade de uma segunda reeleição, em 2016, o que poderia lhe dar quase dez anos de mandato, mas ganhando um ano de lambuja, no caso de uma reeleição apenas, já que a reforma política prevê a prorrogação dos atuais mandatos de quatro para cinco anos. Por atuais mandatos entenda-se, quando a Lei for aprovada, ou seja, se tudo andar direitinho, lá pra meados de 2014, que é o que interessa aos governadores e à presidente Dilma Rousseff.

A assessoria de Zauith vinha trabalhando com a hipótese de consultar o STF diante do “prejuízo” que ele teria tido pelo fato de ter pegado o bonde andando nesta primeira fase, sem contar, obviamente, a “herança maldita” recebida do Valdecir. Assim, ele teria o direito de disputar em 2016 e, se tudo desse certo, cumpria um mandato de quase dez anos, para bater o record de Laerte Tetila, que ficou oito anos seguidos. Acontece que com a reforma política os atuais mandatos seriam prorrogados em um ano, para a coincidência com as eleições de governador e de presidente da República. Dependendo de quando isso acontecer, Zauith, na pior das hipóteses, evidentemente caso queira continuar prefeito e consiga se reeleger, ficaria sete anos na prefeitura, com direito apenas a uma reeleição para mais um mandato de cinco anos. No caso de sua assessoria entender que ele continua no prejuízo, já que os demais prefeitos eleitos em 2008 teriam nove anos de mandato e, recorrendo ao STF e ganhando o direito a mais uma eleição, aí sim Zauith poderia tentar o record histórico de 12 anos ininterruptos à frente do executivo municipal. Como ele parece ser desses nascidos com o fiofó virado pra a lua, num dia de perigeu, como no último sábado, nada é impossível.

Até aqui os prefeitos que mais tempo esquentaram a cadeira na prefeitura, depois da criação do Mato Grosso do Sul, foram José Elias Moreira, com o mandato (1977-80) prorrogado de quatro para seis anos, mas saindo em maio de 1982 para disputar o governo do Estado; Luiz Antonio Gonçalves, eleito em 1982, para um mandato de seis anos; Braz Melo, com dois mandatos (1988-92 e 1997-2000) e Laerte Tetila, o único até aqui reeleito para dois mandatos seguidos (2001 a 2008).

Mas, como diria Mané Garrincha, “tem que combinar com os russos”, ou seja, com o povo.

PS – texto corrigido e atualizado às 11h48

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