23/02/2011 – 17:02
Foto: Anita Tetslaff
O prefeito Murilo Zauith e a vice, Dinaci Ranzi.
Ele chegou incógnito, apoiado por assessores, devido a um problema de visão, sentou-se numa cadeira num corredor atulhado de convidados ilustres. Mais tarde seu nome foi anunciado pelo cerimonial, mesmo assim, só ligou o nome à pessoa quem o vê frequentemente em seu poderoso canal de televisão. Sim, Ueze Zahran, um dos maiores empresários do centro-oeste brasileiro que largou seus afazeres no eixo Rio-São Paulo para prestigiar a posse de Murilo Zauith. Ao lado dele, espremido entre políticos e assessores, um jovem também muito conhecido, pelo tanto que aparece não só na TV de seu Zahran, como em todas as demais mídias: Sérgio Longen, presidente da toda poderosa Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul. Quando estava para começar a cerimônia, eis que chega ninguém mais ninguém menos que André Puccinelli. Alguém já ouviu falar da presença de um governador do Estado na posse de um prefeito de Dourados? Outra coisa, uma diplomação de prefeito presidida pelo presidente do TRE? Eram juízes, desembargadores, presidentes de Tribunais e parlamentares pra todo lado. Só faltaram os federais Marçal Filho e Geraldo Resende, mas, ninguém nem percebeu.
Tudo bem que até nisso Murilo Zauith é diferente. Para um evento de tamanho significado em sua vida e, principalmente, na vida dos douradenses, não poderia haver concorrência, muito menos aquela murrinha dos convidados, muito comum das posses que acontecem durante a ressaca do réveillon. Mesmo assim, pode-se assegurar que foi o maior e mais prestigiado evento desta natureza já realizado em Dourados.
E não foi uma festa só de grã-finos. O povão estava lá a ovacionar o novo prefeito, com seus bordões de campanha. Quem estava dentro não saia, quem estava de fora não entrava. Quando precisei dar uma saidinha para ver o tempo lá fora, foi um sacrifício, mas compensado pelo que ouvi de uma das mais animadas das “muriletes”, literalmente entalada no corredor central: “nunca tanto homem se esfregou em mim”.
Tirante a interminável leitura da lista de “autoridades” do cerimonial da Câmara e os tropeços de Zauith na hora da leitura do compromisso de posse, mas ele mesmo reconhecendo as trapalhadas e se divertindo muito, foi uma cerimônia pra ficar na história. Detalhe: nunca, pelo óbvio do momento político local, o “não nos deixeis cair em tentação”, do Pai Nosso, foi repetido com tanta ênfase, pelo bispo e pelo presidente do Conselho de Pastores, durante as orações de praxe.
Os discursos nunca foram tão sucintos, talvez pelo convidativo cheiro de bife acebolado invadindo o plenário. Era quase uma da tarde quando Murilo, depois de falar de suas predestinações, foi curto e grosso, convidando a classe política a “encarnar” os mais pobres para que toda a sociedade seja “contaminada” por este bom exemplo. Da mesma forma, minutos mais tarde, durante uma entrevista coletiva, quando colocado na parede quanto à questão dos mais de quinhentos funcionários comissionados que recebeu de herança de seus antecessores: “vou querer começar do zero”. Precisa dizer mais?
Quando, finalmente, um repórter pediu para Murilo Zauith se definir, depois de ter vaticinado que seu antecessor, o Valdecir, estaria para Dourados tal qual Nero esteve para Roma (incendiada) o governador André Puccinelli saiu em seu socorro: “Como Júlio Cesar, o imperador!”, fazendo questão de ressaltar a condição do general romano da famosa frase, que repetiu no vernáculo de sua pátria-mãe: “veni, vidi, vici”. Com isso, o italiano reforçou seu gesto de mão estendida à Dourados e a seu novo prefeito, para que lá na frente Murilo Zauith possa repetir, em bom português: “Vim, vi e venci”.
Veja mais fotos da posse:http://www.valfridosilva.com/galerias_fotos.php?id_album=36
