23/02/2011 – 00:02
Tinha que ser assim, na base do fórceps. Primeiro, dez anos de espera; duas eleições perdidas. Depois, quando finalmente chega lá, não tem quem empossá-lo. Ou melhor, tem, mas ninguém sabe quem, se Dirceu Longhi, o vice de Délia Razuk, licenciada para, como diz o governador André Puccinelli, “prefeitar” interinamente; ela própria, que, neste caso, teria que “renunciar” alguns minutos antes ou Idenor Machado, o presidente eleito da Câmara Municipal mas “cassado” antes mesmo de tomar posse por uma liminar conseguida por Razuk, que se acha no direito de voltar para completar um mandato de dois anos à frente da presidência do legislativo.
Seja como for, o que importa é que hoje, finalmente, Murilo Zauith (foto) se torna prefeito de Dourados. A primeira tentativa foi em 2000, quando cumpria seu segundo mandato como deputado estadual. O slogan “Dourados com prosperidade” não bastou para compensar o racha na base aliada, que lançaria George Takimoto com o apoio dos então maiores caciques da política douradense, como Braz Melo, prefeito que deixava no cargo; os ex-prefeitos José Elias Moreira e Humberto Teixeira; o deputado Zé Teixeira e os já ex-deputados Valdenir Machado e Roberto Razuk, este, pela segunda vez, cedendo sua Délia como candidata a vice. Para completar o desastre, o azarão tucano Mardônio Alencar, que acabaria dando um “culepe” em Takimoto, chegando em terceiro lugar. Com tanta lambança, o petista Laerte Tetila correria fácil para o abraço.
Murilo Zauith termina o segundo mandato de deputado estadual e, em 2002, vai passar quatro anos no Congresso Nacional, em Brasília, de onde é alçado para compor a chapa com André Puccinelli para o Governo do Estado. E foi assim, como vice-governador e, aí, com o apoio de toda a “velharada” da política cujo apoio havia renegado em 2000, que foi atropelado pelo fenômeno Valdecir, em 2008. Um capítulo da história da terra de seu Marcelino que deve ser esquecido, por tudo que se seguiria.
Depois do vaticínio de que Valdecir estava para Dourados como Nero esteve para Roma, incendiada, fui ter com Zauith em sua sala, na Unigran. Derrotado? Que nada! Já fazia planos para tentar ser senador, na verdade seu grande sonho, planejando trabalhar um de seus pupilos – Sidlei Alves, Marcelo Barros, Gino Ferreira ou quem se apresentasse com gás para disputar a prefeitura. “Estou ficando velho para isso”, disse, mas convicto de que sua missão com Dourados não havia terminado. A Owari, a Uragano e a “derrota” para o Senado mudariam seus planos e, enfim, era chegada a hora de se cumprir o seu verdadeiro desiderato.
Antes de sua primeira eleição viajamos num fim de semana para um encontro político em Coxim. Nós dois, apenas, ele ao volante, encantado com a potência e o conforto de um ômega zerado, falando de sua paixão pela cidade que escolheu para começar a vida profissional e formar sua família. Já tinha planos e projetos grandiosos. Murilo sempre pensou no macro da política e da administração pública, sendo, pois, avesso ao varejo e, talvez, por isso, sempre tido como de nariz empinado pelos adeptos do clientelismo político.
Tem tudo para ser um baita prefeito, sem sombra de dúvidas, apesar de tudo – do enorme abacaxi que tem para descascar – e de todos, dos amigos, “mui amigos”, companheiros, os dele e agora os do PT e periféricos. Mas é sua missão fazer, finalmente, Dourados com prosperidade!
foto/Anita Tetslaff
