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Valeretto, um Dom Quixote de olho em 2012

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18/01/2011 – 17:01

Outro dia, enquanto esperava por Murilo Zauith para uma “audiência” na guarita de entrada de meu bairro, um dos integrantes da segurança interna aproximou-se intrigado porque acabava de descobrir que um dos candidatos a vice-prefeito na eleição extemporânea é um pintor de paredes. “Nada contra os pintores, mas a gente não pode mais perder tempo nem correr riscos” disse o vigilante, numa evidente referência a certo caminhoneiro cuja falta de visão, pra dizer o mínimo, fez Dourados desviar sua rota, trombar na história e cair no precipício do atraso político. E ainda têm aqueles quem ousam menosprezar a sabedoria popular.

Sábado passado saí para meu habitual bordejo matinal pelo centro comercial, na esperança de cruzar não só com Murilo, mas com os novos Dons Quixotes da política local. Sei, agora, que o nome de um deles é Valeretto (foto), mas o primeiro que me aparece é um Dom Quixote meio japonês. Ele mesmo, o Elias Ishy, ali na CB do Takeo, muito mais faceiro pelos minutos de fama que poderão lhe garantir os votos para voltar a ser titular no Palácio Jaguaribe, a partir de 2012, do que, como era de se esperar, brabo com a companheirada que aderiu ao DEM. Mas, jurando que iria até o TSE para tentar emplacar sua candidatura, ontem negada em segunda instância.

Enquanto conversava com Ishy, a quem recorro todo mês de janeiro para pegar o calendário do ano entrante da Caixa Econômica, vi uma bandeira do PMN tremulando em frente à portinha da saltenheira Fátima, ali ao lado da loja de bugiganga do Ligui do Espírito Santo. Nem deu tempo para ver se tinha algum candidato à frente de tão grandiosa passeata. Foi, tipo, vapt vupt. Mas do sindicalista que acompanhava Ishy, o Ronaldo, ganhei o primeiro folder desta campanha, não do candidato petista, mas do tal Valeretto, do PMN.

Mote de campanha do Dom Quixote cujo guru (ou, Sancho Pança, literalmente, não só por ser exageradamente realista em relação a tudo que aí está, mas pela baita barriga que empurra) é meu amigo Luiz Rogério de Sá: “chega de corrupção”, alertando que “eles”, sem especificar nomes, “são todos iguais”. E o apelo, indefectível, bem no estilo “ajuda eu”: Vote diferente!!! Vote na gente!!! Assim mesmo, com três exclamações em cada frase. Até aí tudo bem, uma peça simples, bem de acordo com as peculiaridades de uma campanha fora de época e mais curta que coice de porco.

O bicho começa a pegar quando se vira o folder e vem o que seria o programa de governo. No do Valeretto, um compromisso para apenas 120 dias. Será que não falaram pra ele que o mandato tampão vai até o final de 2012? Seja como for, começa com a velha história da auditoria das contas públicas, solução dos problemas da saúde, da educação, da segurança, blá-blá e blá.

Mas o inusitado está no penúltimo item desta singela plataforma de governo: primeiro pagamento dos funcionários públicos municipais após a posse (sic) feita pessoalmente pelo prefeito. Pensa bem, meu caro internauta, uma fila de mais de seis mil barnabés e o maledeto, ops! Valeretto, lá, com uma sacolinha de holerite, pegando na mão de cada um deles e pedindo votos (só pode!), já, para 2012.

E olha que este aí não é pintor de paredes. Diz o currículo que é professor. Por enquanto, quem está pintando, mas o sete, é mesmo o Elias Ishy. 

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