11/01/2011 – 10:01
Foto: Aparecido Frota
Délia Razuk e Geraldo Sales, ontem, na prefeitura.
Luiz Ignácio Lula da Silva entrou para a história como o presidente do Brasil que mais tempo deu ao vice para que desfrutasse do poder, pelo tanto que cortou oceanos mundo afora, primeiro no sucatão (Boeing 707 da Presidência), depois no Airbus especialmente comprado para este fim. Mesmo assim José de Alencar entrou para o noticiário muito mais pelo que sofreu – e continua sofrendo – com um câncer que lhe corrói as tripas do que pelas estripulias que normalmente os vices costumam fazer.
Délia Razuk não é vice-prefeita de Dourados, mas ocupa o cargo como tal. Ou melhor, como interina, na condição de presidente da Câmara Municipal, depois da prisão do Valdecir, de seu vice Carlinhos Cantor e do presidente da Câmara Sidlei Alves. Mesmo assim vai deixar seu nome registrado no livro da história da terra de seu Marcelino não só como a prefeita que, em cinco meses, conseguiu corrigir uma injustiça histórica, inserindo na galeria dos ex-prefeitos a foto dos que passaram pela prefeitura interinamente, como é o seu caso e do juiz Eduardo Rocha, como também pela implantação de duas importantes secretarias – a da Cultura e a da Juventude.
Importa se Dourados continua mais se parecendo com a Bagdá pós-bombardeios, do mesmo jeito que Tetila recebeu de Braz Melo, dez anos atrás, pelo tanto de buracos em suas ruas e avenidas? Não. Importa o número de empregos que estas duas pastas abrirão a apaniguados políticos, uma vez que nem critério de prioridade existe para justificar o atendimento a dois setores que seriam muito bem atendidos pela Funced, a Fundação de Cultura e de Esporte, criada, com a melhor das boas intenções, pelo prefeito Luiz Antonio Álvares Gonçalves justamente para isso. Detalhe, a Funced não será extinta. Continuará cambaleando, mas como um cabidão de emprego dos mais cobiçados.
Simone Tebet, esta, sim, é vice. Com plenos poderes. Esquece-se, apenas, pelo jeito, que é vice de André Puccinelli. Ou se pode esperar alguma mudança na sistemática de governo a partir de suas visitas à secretarias, como a de Fazenda, como fez em seu primeiro ato de governadora? Talvez o passeio que fará no Bandeirantes do governo a Três Lagoas, sua terra natal, seja mais produtivo. Pelo menos entrará para os anais da história. De Três Lagoas.
Se Simone Tebet está certa em sua estratégia para transformar em realidade o sonho de ocupar o lugar que um dia foi do pai, Ramez, no Senado, só o tempo dirá, mas tudo vai depender, também, de sua postura em relação a Puccinelli, nestes três anos, e meio.
Quanto a assertiva de Délia Razuk criando novas secretarias, quem poderá aferir – e logo – é o candidato do PSDC à prefeitura, nas eleições de seis de fevereiro próximo, Geraldo Sales. Pelo que foi publicado na imprensa hoje ele deverá ser o depositário dos votos do grupo político da prefeita, a quem fez ontem uma visita “de cortesia”.
Que Dilma Rousseff não leia este blog hoje.
