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quinta-feira, julho 2, 2026

Um quebra-cabeça de longo prazo

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09/01/2011 – 10:01

Não fossem as trapalhadas do Valdecir o quebra-cabeça para as eleições de 2014 e 2018 para o governo do Estado e para o Senado só começaria a ser montado em 2012, com a sucessão dele na prefeitura de Dourados e do prefeito Nelsinho Trad, tido como um dos herdeiros políticos do governador André Puccinelli, em Campo Grande. Pegos de surpresa, aproveitando-se do discurso da necessidade de se tirar Dourados do brejo, ficou fácil para os políticos que pensam um pouco mais à frente formar uma chapa para um governo de coalizão, exceto Zeca do PT, sempre de sapicuá cheio.

Neste sentido, foi mais que sintomático o recadinho do senador Delcídio do Amaral, ontem em sua página no microblog Twitter, dizendo que “finalmente começaram a entender o que está acontecendo em Dourados” e que “não viram nada ainda”. Como ele colocou o link chamando para uma matéria publicada no Correio do Estado, com as justificativas do deputado Vander Loubet para a aliança do PT com o DEM, sendo que no dia anterior, no mesmo jornal, titio Zeca acusava o grupo do senador Delcídio do Amaral de jogar o PT na lata de lixo, ficou muito claro quem, para Delcídio, não está entendendo patavina quanto ao imbróglio político da terra de seu Marcelino.

Claro que ao fazer de tudo para que o PT ficasse com Murilo, Delcídio mira na eleição de 2014. Interessante que o Zeca que agora acusa seu partido de ir para a lata de lixo por se aliar a Murilo é o mesmo que poucos meses atrás fazia de tudo para ter o mesmo Murilo como seu candidato a vice, na eleição para o governo do Estado. Quer dizer, só agora, para ele, o democrata virou lixo.

Em 2014 o tête-à-tête de Delcídio do Amaral será com quem se viabilizar junto a André Puccinelli como candidato a governador: Nelsinho Trad ou Simone Tebet. Como desconfia, torce e reza para enfrentar Simone e como sabe da simpatia de Nelsinho Trad por Zauith, por que não atalhar logo este caminho? Pode até ser que Nelsinho saia candidato a governador em outro projeto (leia-se, por outro partido), mas terá que mostrar muita competência política para isso, começando por ficar de bem o mais rápido possível com os mata-mosquitos em greve, sem falar no tanto que terá de rezar para São Pedro parar de imaginar ser ele o Noé do século XXI e que só construindo uma arca para salvar Campo Grande de tanto aguaceiro.

O problema é que 2014 é data limite para a turma que está aí rodeando a cadeira de André Puccinelli ou sonhando com uma vaga ao Senado. A partir daí, será um olho numa dessas cadeiras e outro na bengala. Simone, a mais novinha, pode até ficar de stand by mais um tempo, ser deputada federal (não concorria com o marido para voltar a Assembleia) ou mesmo retornar à prefeitura de sua Três Lagoas. Nelsinho Trad é o segundo no quesito idade. Também aguentaria no relento mais uns anos, mas na incômoda condição de ter de ter dois irmãos (fora os “brimos”) mais novos com a corda toda – e com mandatos -, sonhando chegar aonde o patriarca Nelsão não chegou, senão ao governo, pelo menos no Senado da República. Delcídio, apesar dos cabelos brancos, ainda tem muito gás, nem precisando contar com o do vizinho Evo Morales para atingir seu grande objetivo. Mas acha que chegou sua hora.

Assistindo tudo isso e dando belas gargalhadas, André Puccinelli. Madrugador e com uma saúde de ferro, anuncia aposentadoria ao final do governo que se inicia, mas lá atrás, tinha o sonho de um dia passar pelo tão cobiçado salão azul do Congresso Nacional. Isso acontecendo, seria já em 2014, na flor de seus 66 anos. E quem foi que disse que um italiano forte como este não tem idade para governar o Estado que tão bem conhece aos 70?

Neste caso, com André indo para o senado em 2014, o tão sonhado senador de Dourados, só em 2018. Até porque, de novo, seriam duas vagas. Mas como flagrei o médico e guru político Luiz Machado, primo de Londres, dizendo outro dia a Murilo Zauith que ele só seria senador depois de passar pela prefeitura, quem sabe aos 68, depois de seis anos como prefeito, ele emplaque. Afinal, 68 anos é uma boa idade para ser senador. 

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