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quinta-feira, julho 2, 2026

Mea-culpa partidária faz da eleição um referendo

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28/12/2010 – 09:12

Foto: Fábio Dorta

Agora só falta o PT “se unir por Dourados”, como tem pregado Zauith.

A culpa pelo desastre do (des) governo de Ari Artuzi não é só dos 45.182 eleitores que confiaram nele o voto na eleição de 2008. É também – e principalmente – dos partidos políticos que deram a ele o direito de disputar, mesmo diante de tantas evidências de que tinha tudo para não dar certo. Tanto que o “eu avisei” do governador André Puccinelli como forma de puxão de orelhas em seus próprios aliados, durante sua última visita a Dourados, quando bateu o martelo na candidatura de Murilo Zauith para a eleição de 6 de fevereiro próximo foi só uma forma de reforçar a recomendação para que não se erre de novo. Partidos políticos e eleitores.

Por isso, agora, a mea-culpa das lideranças dos maiores partidos políticos de Dourados, PT inclusive, todos cerrando fileiras com o segundo colocado daquela eleição. Se André Puccinelli tentou abrir os olhos da companheirada desde o início, ainda na fase pré-eleitoral, quando o Valdecir estava filiado ao seu PMDB, com a história do “animal de pêlo curto” que para ele não tinha as mínimas condições de gerir a segunda maior cidade do Estado, Murilo Zauith, tão logo conhecidos os resultados do pleito sentenciou: “Se Roma teve Nero Dourados agora tem o Artuzi”.

Feita a vontade do povo, mesmo diante de tantas evidências do tamanho do equívoco cometido, caberia à Justiça Eleitoral uma última chance evitar o pior, pois já durante a eleição se descortinava um Valdecir de dar medo. Não é para isso que existe a tal da justiça? Entretanto, tradicionalmente complacente com os eleitos, principalmente diante de fenômenos eleitorais como o que se apresentara aos douradenses, fez-se vistas grossas para os crimes eleitorais, para os quais não faltaram denúncias e evidências. Se por estes crimes tivesse o Valdecir sido punido e cassado, era só seguir a legislação, empossar Murilo Zauith e se teria evitado ainda mais prejuízo ao erário, pelo tanto de lambança que se estava por fazer.

Antes tarde do que nunca. Pelo jeito só alguns xiitas renitentes do PT e alguns nanicos em busca de fama insistem em não colocar o rabinho no meio das pernas. Sim, porque dos que não erraram ao votar ou facilitar as coisas para o Valdecir em 2008, a maioria ficou com as digitais sujas depois de tocar piano na sala do xerife Galloni, com o advento das operações Owari e Uragano. Muitos, inclusive, que já vinham aprontando antes mesmo da chegada do Valdecir à prefeitura.

Diante disso, nada mais sensato, pois, que a mea-culpa que se faz agora, para que haja, não uma eleição, mas um referendo para sacramentar o nome de Murilo Zauith. Afinal vivemos uma democracia. E a justiça, claro, não pode ser contrariada.

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